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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

ME BATE QUE EU TE MOSTRO - a conversa mole, a farsa e a violência como componente das demonstrações de artes marciais. - Por SiFu Marcos Abreu




NÃO ACREDITA EM MIM? PODE BATER.

Acabo de ler num fórum de internet onde sou moderador uma declaração muito bonita de um estudante sobre as habilidades de seu Mestre. Segundo este estudante, seu mestre é capaz de proezas de que poucos na posição dele são; ele é rápido, astuto e pode derrotar um homem em segundos. Para confirmar sua tese, ele menciona um episódio em que um cético invadira a sua academia, a princípio por troça, mas acordara depois do mestre desafiá-lo:

- Bata-me do jeito que quiser!

Eu que sou macaco velho em arte marcial notei neste depoimento uma ocorrência muito comum no ritual das visitas de curiosos a academias de luta: o batidíssimo..."- Me bate que eu te mostro!"

O "Me Bate que Te Mostro" é um ato de demonstração de um mestre habilidoso na arte de conduzir pessoas, e depende necessariamente de pessoas impressionáveis, assim como o hipnotizador precisa de uma pessoa suscetível, para que suas habilidades apareçam, ou do logro sério do estelionatário, que se vale do desespero alheio para que a obviedade mentirosa de seu truque seja ofuscado pela ânsia ou ambição da vítima.

Não é preciso dizer que o mestre defendeu o golpe do ousado rapaz que veio de fora. Mas é claro que sim. A partir do momento em que dou um comando, eu tenho o "tempo certo" para agir. No Wing Chun, uma luta que já é feita para reações rápidas na curta distância e na condição da desvantagem, essa premissa é particularmente necessária.


MOSTRA DE UM LUTADOR DE RINGUE X VENDEDOR DE "DEFESA PESSOAL"

Quando um instrutor de boxe pede para que você desferir um golpe, geralmente ele mostra uma nuance técnica, algo que é facilmente verificável em combate, que já foi feito centenas de milhares de vezes diante das câmeras, por exemplo. Isso ocorre porque lutas de ringue tem um repertório mais simples, e o resultado desejado pelo público é estimulado pelas regras, movimentação, ambiente e ética do esporte, para que o combate não vire um ato de selvageria. Não há necessidade de mostrar uma habilidade pessoal, pois isso será feito de qualquer jeito, pois as pessoas lutam de fato. A pessoa que está lá viu o que é a luta, e tem uma ideia ao menos do que seja, e a demonstração geralmente vem como parte objetiva na busca por um gesto técnico (reparem bem) real, dinâmico e de resultados verificáveis.

Já o vendedor profissional de defesa pessoal (tirando as exceções necessárias, uma vez que cada arte marcial ou tem um repertório de defesa pessoal ou a própria arte funciona como) tem a necessidade de provar que a fantasia que ele vende pode funcionar na prática, ainda que o fato de você ter sque usar o que sabe para salvar a vida por si só já demonstre o quanto a sua estratégia de prevenção foi fracassada. Por isso o "me bate que eu te mostro" é tão imprescindível; a habilidade do mestre em usar uma técnica "mortal" (obviamente o cara não vai te matar para mostrar, e muitas vezes nem mesmo seria capaz disso) de forma mais branda, derrubando, imobilizando, batendo num voluntário cria a ilusão que o mestre é o detentor de todas as respostas: mas e se o cara faz isso? "Zum!" E isso? Pá!!! A sonoplastia é também parte do show do mestre na maior parte das vezes. Não há qualquer garantia que a movimentação vá funcionar, ou que alguém da academia ou mesmo o professor tenha realizado o movimento numa luta de rua uma vez sequer na maior parte dos casos, ou mesmo seja capaz de reproduzir a técnica num combate amistoso com os alunos. Ou seja, você confia a sua vida a um tiro no escuro. Um tiro que, pelo menos na demonstração, tem hora, local e forma definida, justamente o oposto do ambiente chave para a validação da técnica/arte.

PORRA, BICHO, QUE PANCADA!!! VOCÊ VIU??!!!

Um grande amigo meu do passado havia ido a uma academia de Kung Fu, e logo vem a inelutável demonstração:
 - Mestre?
- Sim, filho.
- Mostre-me a pata do Dragão
- Pá!!!
- Mestre?!!!! Por que me bateu?
- Dragões nunca dormem, garfanhoto.

O soco de uma polegada, a pueril demonstração que Bruce Lee executava nos anos sessenta, uma mistura de biomecânica corporal e truque circense, valia-se do soco do Wing Chun para demonstrar que mesmo sem um grande espaço, uma pessoa pode gerar grande poder. A pessoa tomava um grande susto, na maior parte das vezes, recebendo um forte tranco para trás, ao receber o soco sobre um protetor e caia sobre uma cadeira colocada atrás dela , para dramatizar mais o truque. Outros tempos. No "me bate que eu mostro", a coisa pode ficar perigosa para o iniciante quando, sob pretexto de mostrar poder de punch, o mestre ou instrutor te desfere um golpe diretamente, e você gemendo , sentindo forte dor local torna-se a atração principal. "Eu (bato) te mostro". E tome torção. E tome chute na coxa. Soco na barriga, Pá!!! Nossa, quanto poder! Afinal, é toma lá, dá cá, você já teve a sua chance de bater antes.

Se alguém precisa te golpear sem te dar a chance de defesa para mostrar habilidade, com energia desproporcional ao objetivo da demonstração, você provavelmente está diante de um profissional inseguro, incompetente e, principalmente, que não se preocupa com sua segurança ou bem estar.

Obviamente há casos e casos, mas lembre-se quanto mais controlada (me bate!), difícil, cheia de malabarismos e com atos de violência é composta a demonstração das habilidades de um mestre de artes marciais, maior a probabilidade de ela não funcionar para você se realmente precisar, especialmente se você for uma pessoa comum, sem grandes habilidades ou força física. E que quanto mais um mestre está ávido para mostrar o que sabe, é bem provável que menos ele consiga colocar em prática o que demonstra. Um mestre realmente seguro não sente necessidade de se exibir.
















domingo, 17 de julho de 2011

ESCOLA DE WING CHUN SEM ERRO

Enquanto não sai a segunda parte do artigo sobre Chi Sao e Lap Sao, reproduzo aqui meu primeiro artigo autoral no orkut. Na época eu escrevia sob pseudônimo na comunidade Wing Chun Kung Fu. O texto é algo cru devido ao pouco espaço entre os tópicos. Contudo, acho interessante colocá-lo aqui porque acho que é um texto útil ao público leigo, que sempre foi alvo de meus escritos, a fim de criar uma visão diferente daquela que é passada junto à luta desde que ela chegou ao Brasil. Caso algum leitor tenha alguma dúvida sobre o texto original, digite sua crítica ou pergunta e responderei. Boa leitura.


Escola de Wing Chun sem erro

Desde a chegada do oficial* do Wing Chun ao Brasil em 1979, já se foram quase trinta anos. De lá pra cá muitas ramificações de nossa arte chegaram ao Brasil. A grande popularidade dos filmes de kung fu, e a aura de mistério e segredo que permeiam as artes marciais chinesas são um prato cheio para muitos falsários, que tornaram proporcionalmente Wing Chun a luta mais clonada do país.

Este tópico dá algumas pistas de que você está visitando uma autêntica escola de Wing Chun,
E outras de que você se meteu numa roubada.

SITUAÇÕES:

1. Termos japoneses e afins – Wing Chun é uma arte marcial chinesa. Se o sujeito que pretende te ensinar usa termos japoneses para descrever graduação, local de treinamento, etc. ele, no mínimo, não tem conhecimento teórico do que ensina. Bons instrutores qualificados e Mestres (pouquíssimos no Brasil, ainda) têm uma boa noção de cultura oriental e conhecem muito mais que os termos básicos de suas artes. Se ele demorar em te responder: O que é Tan Sao?
Pak Sao? Yat Ji Jung Choi? Siginfica que ele não teve o menor interesse em saber nem o básico.

2. Aula em academia de ginástica – A prática do Wing Chun envolve não apenas treino físico (que exige equipamentos específicos), mas projeta seus princípios para a convivência e conduta marcial entre os seus praticantes - que formam uma Família-kung fu - e a sociedade. Se for uma aula entre uma barulhenta aula de swing baiano e outra de Jump, três vezes por semana, que ambiente você tem para isso?

3. Discurso – Os movimentos de Wing Chun não imitam os movimentos de animais, por isso é um estilo de kung fu muito prático. Contudo, isto tem servido como pretexto para professores quererem afirmar que o Wing Chun é melhor que outros estilos ou lutas. Esta postura arrogante não faz parte do Wing Chun, que está embasado técnica e moralmente em filosofias ordeiras como o budismo. A melhor expressão do Wing Chun na luta é contra-ofensiva e se presta a situações de perigo extremo.

4. Treinamento de luta – Os praticantes de Wing chun têm por hábito falar da simplicidade e eficiência da arte, mas a maior parte das escolas não coloca seus alunos para combater. Isso é o mesmo que ensinar a nadar no deserto. O equipamento protetor e golpes baixos característicos geralmente são usados como desculpa, contudo, com boa vontade e alguns ajustes é possível aproximar-se muito da aplicação real.

5. Origem – Se pergunta ao professor onde ele aprendeu Wing Chun e ele te diz: - Fulano de tal, pergunte quem ensinou Fulano, e assim sucessivamente até chegar ao fundador (a) do Sistema; A Genealogia é a garantia do que você aprendeu tem relação direta com a Origem do sistema, e um professor que respeita a ancestralidade terá seus nomes na ponta da língua. A partir da daí, você tem condições de verificar detalhes pela internet. Caso ele venha com respostas vagas, ou mude de assunto, é bem provável que você esteja lidando com um impostor.

6. Cursos rápidos para Instrutores – Wing Chun é provavelmente uma das artes marciais mais rápidas para se aprender e concluir o treinamento básico de mãos livres. Contudo, seus conceitos subjetivos levam muito em conta a experiência individual do praticante, e levam-se muitos anos para amadurecer o suficiente para ensiná-la. Desconfie de cursos que levam em conta apenas o rendimento físico, ou o domínio da técnica de luta, Wing Chun não é esporte, nem mera defesa pessoal, embora possa ser praticado individualmente com essa finalidade - Vide tópico dois.

7. Referências a Bruce Lee – Este astro dos filmes de kung fu foi sem dúvida o mais famoso dos alunos de Yip Man, e o grande responsável pela popularização do Wing Chun e do Kung Fu fora da China. Sua visão realista e sem floreio das artes marciais e sua expressão física – Jeet Kune Do – o tornaram eterno. Contudo, se o professor se refere a Bruce como mestre supremo, se seus alunos imitam os movimentos e os gritinhos dos filmes, saia de fininho de lá. Bruce Lee, destarte toda a sua habilidade, nunca concluiu seu treinamento em Wing Chun. A sua aura de invencibilidade é criação da imprensa, e serve de prato cheio a mestres de meia-tigela, que passam uma visão fantasiosa do kung fu.

Bem, acho que é isso. Quero advertir, pórem que esta é uma visão muito pessoal do assunto, dados os últimos tópicos da comunidade, e não representa nada mais que isso.

Um abraço.

*Refiro-me no texto (àquela época para evitar discussões no site) à chegada de meu Sifu Li Hon Ki, membro da Hong Kong Ving Tsun Athletic Association e Yip Man Art Martial Association, ao Brasil. Hoje é tido como consenso entre os principais mestres como o introdutor do sistema Wing Chun no Brasil Sifu Thomas Lo, discípulo de Greco Wong em 1969. Outros defendem que Li Wing Kay, irmão de Li Hon Ki, foi quem apresentou o estilo publicamente pela primeira vez em 1971. Mas certamente quem difundiu o luta para todo o Brasil em larga escala foi o escritor Marco Natali, que aprendeu o sistema com um Mestre da malásia de nome See Tiong Fo. Nota do autor.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Duncan responde

Continuando a transferência de meus arquivos para o blog, peguei estas perguntas e respostas traduzidas por meu irmão Wing Chun mais velho, Mestre Marcelo Florentino, do site de Sigung Duncan. Atenção para a pergunta número 08, a mais recorrente entre os praticantes de Wing Chun. Duncan a explica - diferente do resto do material do blog - não à luz de seu convívio com Yip Man, mas de acordo com o funcionamento do Wing Chun. Boa leitura.

01) Feita por Kyle Rodgers em 17/01/06

Qual é a sua experiência com "Ch'i" (energia interior) para combate e propósitos de poder? O Sr. treinou com Yip Man. Bruce Lee também. Chegou a conhece-lo? E em sua opinião, quando Bruce estava em seus 100% com o Dhi Kun Do (Jeet Kune Do), ele era mesmo bom para ser classificado Si-Fu?

Resp. Grão-mestre Dancan em 23/01/06

Pessoalmente, eu nunca experimentei "ch'i" denominado em combate, embora eu tenha lutado com indivíduos que reivindicaram saber usá-lo para este propósito. Não digo que seja impossível, mas eu nunca vi. Yip Man não acreditava em "ch'i". Eu conheci Bruce Lee muito bem. Crescemos juntos, e sempre fomos muito próximos. Estudamos na mesma escola secundária, e foi ele quem me apresentou a Yip Man e ao Wing Chun (Vin Tsun).

A arte marcial de Bruce era certamente melhor quando ele a devolveu depois de vários anos em Hollywood, do que quando treinamos juntos. O Jeet Kun Do dele era essencialmente Wing Chun, talvez, ligeiramente modificado. Tradicionalmente, um estudante se torna um "Si-Fu" quando seu professor o nomeia como tal, o que indica que ele esta qualificado para ensinar outros. Yip Man não designava seus alunos como Si-Fu; houve entretanto, uma exceção: Jiu Wan*. Este foi o único estudante no qual conheço, a receber autorização de Yip Man como qualificado a ensinar Wing Chun porém, não chegou a dar-lhe qualquer tipo de certificado. Naquela época, não era minha intenção ensinar, e Yip Man não me nomeou “Si-Fu". Hoje em dia, um Si-Fu simplesmente é alguém que ensina, e tem estudantes seguindo sua instrução. Sendo assim, se você for um bom vendedor, e ensina isso, você é um Si-Fu!

02) Feita por Bill em 22/01/06 Desejo saber a compreensão do Fuk Sau que está na 1ª parte da forma Sil Lim Tao. É mais importante focalizar a posição do cotovelo, e não tanto a da mão?

Resp. Grão-mestre Dancan em 23/01/06

A posição de mão correta em Fuk-Sao é - dedos soltos e apontando para seu próprio corpo, cotovelo junto ao torso, pulso apontando para o plexo solar do oponente. Fuk-Sao é defensivo e usado para guardar e controlar a linha central. Para redirecionar, use ruin-tsao (giro-palma) e dhun-sao (soltar-cair) e jat-sao (giro-dentro). A palma é usada para golpear.

03) Feita por Rico em 13/01/06

Durante o tempo em que estudou com Yip Man, houve algum aluno em especial que ele qualificasse como tendo sólida habilidade em Wing Chun?

Resp. Grão-mestre Dancan em 13/01/06

Não recordo alguém em particular a quem ele tenha admirado.

04) Feita por Bill Dora em 19/01/06

O Sr. poderia me dizer se é correto imaginar aplicações ao usar quaisquer dos movimentos ao praticar o Sil Lim Tao? Alguns dizem que se deve esvaziar a mente e relaxar.

Resp. Grão-mestre Dancan em 20/01/06

Siu Lim Tau é conhecido em chinês como "Pequena Imaginação", sendo assim, isto deveria responder a sua pergunta no afirmativo. Eu também o lembro que, na primeira parte da forma, você está executando tensão combinada com poder em movimentos lentos, de maneira a desenvolver a memória muscular. Na segunda parte da forma, o movimento é rápido e sem tensão. Já na terceira parte, a velocidade é normal e relaxada. Em cada uma destas partes, a imaginação é usada.

05) Feita por Zmzazn em 24/01/06

Descobri o Wing Chun há pouco tempo e tenho ouviu falar que há diferentes linhagens no que diz respeito a sua aplicação. O Sr. poderia me dizer algo sobre a linhagem de Moy Yat, e que tipo de Wing Chun representa? Qual é a diferença entre Moy Yat e outras linhagens? Estou tendo a oportunidade de treinar com alguém que ensina Wing Chun de Moy Yat, E gostaria de saber se não vou desperdiçar meu tempo lá. Eu poderia praticar com eles e usar suas fitas de vídeo como meio de aperfeiçoamento?

Resp. Grão-mestre Dancan em 26/01/06

Conheci Moy Yat em New York nos anos 70 quando vim para os Estados Unidos. Ele foi estudante de Yip Man durante os anos 60 e presumivelmente aprendeu da mesma forma como todos os outros. De minha perspectiva, há só um estilo de Wing Chun, enquanto que, muitas diferentes interpretações baseadas no que cada instrutor individualmente está entendendo. Estude por um tempo com o instrutor da linhagem de Moy Yat. Mantenha sua mente aberta e olhe para as fitas. Se você sentir que há uma discrepância entre o que você aprende lá e o que você vê nas fitas, use seu julgamento e decida o que você acha melhor, e lhe deixa mais seguro.

06) Feita por Navin em 29/01/06

De todas as diferentes linhagens de Vin Tsun de Yip Man, notei que a de Dancan Leun é a mais parecida com a do Si-Fu Fun Tsun que ensina o sistema "Leun Jan's Pin Sun". Alguém aqui já viu ou praticou o sistema ensinado pelo Si-Fu Fun Tsun?

Resp. Shadowman em 30/01/06

Não conheço Fung Tsun, mas, é interessante você ter mencionado Leun Jan. Leun Jan ensinou o dois filhos Leun Tchan e Leun Bik. Ele também ensinou Tchan Wah Tsun. Ninguém sabe o que aconteceu a Leun Tchan. Yip Man estudou com Tchan Wah Tsun e foi seu 13º e último discípulo. Quando chegou a Hong Kong, estudou com Leun Bik. Yip Man nunca estudou com Leun Jan.

O interessante de se notar é que o estilo do Si-Fu Dancan (sendo direto de Yip Man) é o mesmo do completo sistema de Leung Jan. O que aconteceu é aquele Tchan Wah Tsun era um excelente lutador mas, não tinha muito interesse na teoria do Vin Tsun, enquanto que Leun Bik lhe ensinou (à Yip Man) todo o lado teórico. Quando Yip Man aprendeu de Tchan Wah Tsun na China, ele se tornou um lutador muito bom e era famoso por isso. Já, quando foi para Hong Kong, ele também aprendeu o lado teórico com Leun Bik e assim uniu ambos os lados complementando seu estilo Vin Tsun. Sendo assim, Ele teve o estilo completo, ou muito mais do que poderia ter para a época. Sendo o único a ter o Vin Tsun completo de Leun Jan de acordo com o que o Grão-mestre Dancan me explicou.

07) Feita por David em 10/06/05

Minha pergunta é, quanto tempo leva para se aprender Vin Tsun completo, incluindo carga horária diária? Não para ser mestre mas, para domínio da arte?

Resp. Grão-mestre Dancan em 22/06/05

Só para lhe dar uma idéia, me levou quatro anos e meio, treinando sete dias por semana, 4-6 horas por dia, para atingir a proficiência que eu tenho. Eu diria que você pôde aprender o sistema inteiro em aproximadamente 18 meses, praticando duas horas por dia, 4-5 dias por semana. Depois disso, a habilidade para aplicar o que você aprendeu dependerá do esforço individual, como também, na oportunidade para continuar praticando com um estudante da mesma categoria.

08) Feita por Will Williams em 04/01/06

Eu gostaria de entender. Há tantas versões de Vin Tsun (Wing Chun) que, como posso acreditar em quais sejam realmente as genuínas? Parece que todo mundo tenta validar sua versão como sendo a original. Sendo assim, como posso ter certeza que a do Sr. é a original?

Resp. Grão-mestre Dancan em 04/01/06

Tentarei responder-lhe em duas etapas. Primeiro, você tem que entender que Vin Tsun, é distinto dos outros sistemas de artes marciais, ele não é pré-ajustado. Cada uma das técnicas nas três formas (excluindo a forma do Homem de madeira) é equivalente às letras do alfabeto. Quer dizer, elas devem ser combinados em uma determinada situação na técnica apropriada para aquela situação específica. Todo o praticante e instrutor, esta aplicando estes conhecimentos na luz da sua compreensão individual, e a interpretação é filtrada pela própria perspectiva. Então, não é surpreendente se o resultado se parecer diferente de pessoa para pessoa.

Secundariamente, enquanto acredito que a maioria dos professores de Wing Chun são sinceros e bem-intencionados, há um punhado de charlatões que certamente não aprenderam o sistema completo e que contudo estão mascarados como mestres; o que estas pessoas não sabem, é que eles inventam algo que conduz a muita confusão no mundo do Vin Tsun. Por exemplo, alguns professores promovem a idéia que aprendendo "Tchi-Sao" já da para ter habilidade suficiente para lutar efetivamente. Eu discordo cordialmente com esta noção. "Tchi-Sao" é certamente importante porque ajuda a desenvolver a sensibilidade, coordenação do corpo, e a habilidade para cobrir espaços quando sob ataque. Mas é um exercício muito elementar.

Finalizando, você deve ser guiado por seu próprio instinto e sentimento, determinando assim, o que é genuíno e quem é o professor certo para você. Pessoalmente, eu procuraria o indivíduo que pode explicar o sistema de uma maneira simples e lógica, que aumente sua compreensão. Para averiguar se um instrutor pode lhe ensinar algo que é benéfíco e genuíno, peça-lhe que explique as teorias e lhe mostre a real aplicação destas. Então, você poderá usar a lógica e o bom senso para poder determinar se o que esta sendo oferecido é válido para você. Eu somaria este carater adicional: Muito importante não é o que o instrutor pode fazer, mas sim, o que ele pode lhe ensinar a fazer. O Si-Fu mais genuíno é quietamente confiante e modesto.

09) Feita por Kung em 04/01/06

Parece haver muita dúvida em relação ao Mestre Leun Tin ter sido aluno de Yip Man, mesmo sido ele, um dos maiores precursores do Vin Tsun mundo a fora. Minha pergunta é: O senhor tem algum conhecimento de Leun Tin ter treinado com Yip Man?

Resp. Grão-mestre Dancan em 05/01/06

Eu só me encontrei com Leun Yin uma vez, e isto foi muito recente. Eu era aluno de aulas particulares, e deixei Yip Man muito antes de Leun Tin se envolver com Vin Tsun. Entretanto, me foi dito que Leun Tin estava tendo aulas com Yip Man, então, presumo que isso seja verdade. Tenho de salientar que Leun Tin fez um grande trabalho, promovendo e popularizando o Wing Chun em toda a Europa. Porém, estas coisas realmente são de pouco interesse à mim. Um dos problemas no universo Vin Tsun é a prevalência de política, abastecida por insinuações. Por que as pessoas são tão interessadas em saber quem estudou com quem? O fato de ter estudado com Yip Man não me faz o melhor lutador ou o melhor instrutor. Muitos alunos dos alunos de Yip Man são melhores que os próprio alunos do idoso Man. Afinal, o que prova isso? Tente ficar feliz ao aprender algo útil com quem está ensinando.

*Conheci dois discípulos de Jiu Wan em Hong Kong. Muito tradicionais, preservam os valores chineses em tudo. Uma das grandes honras que tive na vida, ver uma tradição que segundo eles mesmos não é mais respeitada pelos mais jovens (Nota Sifu Marcos).

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Ascensão e Queda da Família Wing Chun

Eu estava lendo na comunidade Wing Chun Kung Fu no orkut as mesmas coisas sempre sobre as pessoas não entenderem como Yip Man pôde dar origem a dezenas de diferentes estilos de Wing Chun.

Eu esperava que as entrevistas que coloquei aqui no blog com a opinião de pessoas que conviveram diretamente com ele que foram entrevistadas por nós pudessem dar alguma luz sobre este assunto, pois a questão é muito mais simples do que parece. Nossos leitores daqui são em maior parte os mesmos amigos de lá, e mais umas duzentas pessoas que já leram o blog até o presente momento.

Lembrei então deste texto do próprio Sigung Duncan Leung, (que não é muito de escrever, mas machucou e já foi machucado o suficiente para que as coisas que escreve terem diferenciado conhecimento de causa) sobre a família Wing Chun datado salvo engano de 1999. Em geral fim de século é a época de se pensar sobre o futuro, e com ele não se deu diferente. Leiam o que Duncan pensa sobre coisas como: 1. quem está apto a ensinar wing chun. 2. O que ele pensa sobre quem tem o "verdadeiro" conhecimento. 3. O que o futuro pode reservar para a nossa arte marcial.


ASCENSÃO E QUEDA DA FAMÍLIA WING CHUN (VING TSUN)?

Durante o início dos anos cinqüenta em Hong Kong as artes marciais chinesas eram muito populares entre os jovens e a classe trabalhadora. Havia todos os tipos de estilos disponíveis como Hung Gar, White Crane, Dragon Style e Choy Lai Fut mas do Wing Chun ninguém tinha ouvido falar. Um jovem homem vindo de Foshan, China, Yip Man, estava lá naqueles dias. Ele aprendeu o estilo na China e mais tarde aprimorou seu treinamento com Leung Bik. Ele começou a ensinar na Associação dos Restaurantes. Mais tarde teve uma pequena escola própria em sua casa numa área de reassentamento com 100-150 metros quadrados de espaço. Anos se passaram, e ele havia ensinado uns poucos e bons estudantes; por isso o estilo estava se tornando conhecido do público. Naquele tempo diferentes estilos desafiavam-se, muitas vezes privativamente. Os primeiros estudantes de Yip Man como Lok Yiu e Wong Sheung Leung eram os mais ativos e foram bem em todas as lutas. A principal estação de serviço da Kowloon Motor Bus Company estava localizada a poucas quadras da escola de Yip Man e os trabalhadores foram os primeiros a aderir à escola depois dos trabalhadores dos restaurantes Depois os garotos, alunos da St. Frances Xavier, começaram a aderir, inclusive Bruce Lee e Hawkings Cheung. A economia ia muito mal naquele tempo. Refugiados da China entravam às centenas diariamente, e encontrar trabalho para todos era difícil. Os salários eram baixos e as horas eram longas. Isso tornava muito difícil para os alunos encontrar tempo para treinar. Os alunos adiantados como Leung Sheung, Lok Yiu Wong Leung Sheung e abriram suas próprias escolas e alguns, como Tsui Sheung Tin começaram a ensinar privativamente.

Em 1957 um outro dos primeiros estudantes de Yip Man, William Cheung, imigrou para a Austrália. No caminho um incidente ocorreu quando ele se trancou na cabine dos marinheiros e lutou com mais de dez deles. Isso foi parar em todos os jornais e então o Wing Chun ficou conhecido na Austrália em seguida. Aproximadamente um ano depois, Bruce Lee foi para os Estados Unidos. Os americanos foram expostos à sua habilidade nas artes marciais com a estréia da série Green Hornet (Besouro Verde). Ele começou a ensinar o estilo Wing Chun para celebridades e outras pessoas famosas na Califórnia. Mais tarde ele voltou para Hong Kong e fez vários filmes que chocaram o mundo. Pessoas do mundo inteiro estavam começando a ouvir falar sobre Kung Fu chinês, especialmente um estilo chamado Wing Chun. Depois que Bruce Lee morreu, um estudante de Leung Sheung chamado Leung Ting ensinou um estudante chamado Gainsburg na Alemanha e trazendo o Wing Chun para aquele país. Depois Victor Kan levou o estilo para a Inglaterra. O sobrinho de Yip Man, Lo Man Kam, levou a arte para a Suíça e Taiwan, onde morava. O Wing Chun estava se tornando a mais popular arte marcial no mundo. Nesta época, quando o Wing Chun atingiu o pico de popularidade, o Grande Mestre Yip Man morreu.

Antes de sua morte em 1972, Yip Man tinha parado de ensinar mas era consultado sobre Wing Chun. Ele teve uma vida dura nos primeiro anos em Hong Kong, mas em sua velhice alguns estudantes ricos como Dung Sing and Chan Jee Chu, detetives de polícia da Hong Kong Royal Police, começaram a apoiá-lo. Ele era considerado o chefe da família Wing Chun e teve alguns bons anos antes de sua morte. Infelizmente, ele não nomeou um sucessor para continuar a liderança do Wing Chun. É possível que ele não tenha encontrado ninguém que ele gostou, pode nunca ter encontrado alguém que era digno, ou ele apenas não estava preocupado com o problema nessa fase final de sua vida. Quaisquer que sejam as razões, Grão Mestre Yip Man foi realmente o último Grande Mestre do estilo. Depois de sua morte e com o passar do tempo os membros da família começaram a perceber que eles estavam sozinhos.

O Wing Chun hoje é uma grande família com escolas em todo o mundo. Qualquer organização bem sucedida precisa de um líder para unir a todos e ajudar todos a trabalharem juntos. Por uma série de razões, aqueles estudantes de Yip Man que deveriam ser os mais qualificados para nos unir e liderar-nos foram relutantes ou incapazes de fazê-lo.

Agora, 27 anos após a morte de Yip Man, a família Wing Chun está cada vez mais distante. Sem uma liderança, alguns começam a ensinar em sua própria maneira e alguns criticar os outros que não concordam com sua maneira de ensinar. Alguns até mesmo a desenvolver teorias que jamais Yip Man ensinou. Há também aqueles que afirmam que eles são os únicos "verdadeiros" professores de Wing Chun. Eles sugerem que os professores legítimos de Wing Chun são apenas aqueles que tem sido avaliados e qualificados. Infelizmente, tais afirmações retiram a credibilidade de todo o movimento e servirá apenas para dividir a família Wing Chun. É de um estilo de arte marcial chamado Wing Chun que estamos a falar, uma arte de combate. É preciso treinar e aprender por um longo período de tempo. É preciso que alguém o tenha usado na luta para ganhar a experiência de aplicá-lo. Isto é muito sério; pode levá-lo à vida ou à morte. Isto não é algo do tipo: você me dá dinheiro e eu tiro uma cópia para você. Qualquer um que tenha aprendido, treinado e lutado com isso por um longo período de tempo deve ter entendido algumas verdades da arte. Como pode alguém desacreditar toda a experiência dos outros e chamar a si mesmo de o único “verdadeiro” artista (marcial) no mundo e tentar liderar os outros com esta atitude?

O básico do Wing Chun está exibido nas formas que Yip Man nos deixou, mas os princípios e teorias foram instruídos verbalmente por ele. Cada um pode interpretar as idéias um pouco diferente. Estou certo de Yip Man ficaria feliz em saber se nós, que aprendemos com ele, continuamos com os benefícios que ele nos deu. Se pudéssemos ter uma boa liderança para unir todos em conjunto, trocar e aceitar cada outra experiência e idéias com mentes abertas, logo o Wing Chun poderia prosperar. Todo mundo se beneficiaria com o conhecimento. Sem esse vínculo forte e de apoio entre os membros da Wing Chun, os princípios e teorias Yip Man nos deixou serão diminuídos de geração para geração e um dia ninguém vai reconhecer o estilo. Então, o Wing Chun será apenas um nome na história das artes marciais.

Sifu Duncan Leung.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Entrevista Duncan Leung

DESARQUIVANDO DUNCAN LEUNG

O CONTRADITÓRIO “GÊNIO NEGRO” DO WING CHUM FALA SOBRE YIP MAN, BRUCE LEE E O QUE HÁ DE ERRADO COM SUA ARTE.

“Eu me lembro muito bem das duas primeiras vezes que briguei com alguém armado de faca. Ao invés de fugir como antes, eu lhe mostrei uma faca”.

“Eu pude sentir meu corpo inteiro congelar. Meus braços e pernas de repente se sentiram tão fracos que se meu oponente se contraísse, meu coração tentaria pular fora do peito”.

“Eu fico pensando: ‘Será que a lâmina é muito amolada?’... ‘Como seria se eu me cortasse? Minha boca estava bem seca. Eu pude ver que os olhos dele também estavam cheios de medo...’”.

Tirado da introdução do Manual de Luta com Faca de Duncan Leung de acesso apenas a soldados e policiais.

Duncan está sério. Ele não sorri, ele não está brincando.

Hoje em dia ele é um esbelto fumante de 52 anos, de pouco cabelo e bigodes grisalhos. Não é velho, não é novo, mesmo assim ainda está comandando.

Parte disso deve-se a sua voz profunda – parece a de Yul Brynner – e outra parte do seu olhar.

Quando ele te olha, você sente que Sifu Leung está tomando suas medidas... Contra gigantes.

FLASHBACK – Hong Kong, 1956, Duncan Sil Hung Leung, aos 15 anos, está lá fora correndo na sacada.

Bruce Lee aparece e grita: “Tenho algo novo para te mostrar”.

Duncan gosta de Bruce. Sua prima, que é atriz de filmes, os apresentou. Esses dois caras têm um interesse em comum: vencer brigas de rua.

Então os dois se juntam na sacada para testar a novidade. Duncan não está muito preocupado; está acostumado com as coisas de Bruce. Eles começam a fazer sparring.

Quarto de respiração

Duncan Leung conta a história com seu vozeirão, 40 anos mais tarde.

“Depois de um tempo eu disse, ‘Ainda não tem espaço suficiente’.

Aí fomos para a colina. Espaço não faltava lá, mas...

‘Onde você aprendeu isso?’ Perguntei pra ele – a técnica era “caça punhos”. Ele me disse que tinha um professor novo e que ele gostaria que eu conhecesse.

O nome do Sifu era Yip Man”.

Uma pausa cheia de respeito e curiosidade interrompe a conversa.

Que privilégio ter sido ensinado pelo pai do Wing Chun moderno! Lembra como Sifu Man foi retratado em Dragon? Como um velho Santo de olhos brilhantes, como Ghandi no corpo de George Burns interpretando Deus.

Hoje Duncan é diretor de administração de uma companhia de importação – exportação com escritórios em Virgínia Beach e Hong Kong. Previamente ele desfrutou de sucesso em caças diversas como a filmes de Hong Kong (onde ele produziu 24 longas-metragens) a armas de fogo (de uma só vez ele foi o décimo quinto maior importador dos EUA). E quando ele viajava internacionalmente para ensinar Wing Chun era o mais bem pago do circuito.

O amigo de Bruce Lee ainda é o mais intensamente provado e menos publicado de outros grandes no renascimento de meio século das artes marciais de Hong Kong. Lidar com ele talvez leve a vê-lo como um anti – Bruce: ‘gênio negro’ do renascimento dourado do Wing Chum.

REVOLUCIONÁRIO

Duncan Leung não é um gênio somente por ter trocado golpes com lendas. Ou porque desde a sua adolescência ele nunca perdeu uma briga (e briga de rua é sua maior paixão – “diariamente. Durante anos. É divertido”). No entanto, Duncan fez o que os gênios fazem – revolucionou.

Duncan Leung alterou radicalmente a natureza da defesa pessoal por toda uma geração de praticantes, nos bastidores, como Bruce Lee fez publicamente. Como? Durante vinte anos ele ajudou a redefinir combates para mulheres e homens americanos de uniforme, aqueles parecidíssimos com a luta mortal: nossas forças armadas e autoridades legais.

Mais do que apenas um artista marcial profissional, Leung é um profissional de profissionais. Ele não treina alunos, mas os instrutores, que são mais difíceis de impressionar.

Duncan já foi tutor das tropas de choque mais fortes do planeta, Navy SEALS. Atrás de sua carteira tem placas do Team Two e do Team Four: “Pelas lições bem ensinadas”. Ter treinado SEALS é um certificado de conhecimento avançado – já que pode impressionar SEALS...

Vamos ouvir David K. Paaina, instrutor chefe Hand to Hand do SEAL Team Two:

“Suas maneiras afáveis, a intensidade com a qual ele ensina e a maneira com a qual ele conduz os negócios me levam apenas a concluir uma coisa; que ele é o melhor profissional que eu já vi.

Qualquer que sejam seus esforços, eu apoio Duncan de todo.

De mim e de meus colegas de time partem agradecimentos e gratidão de coração”.

Da Marinha, do Exército, do FBI, da Polícia da Virgínia, Duncan Leung tem mais cartas de tributo do que ele pode emoldurar, tem mais placas do que paredes para colocá-las. Só tem um pequeno espaço para o Colt 45, gravado, presenteado pelo FBI.

VINDO DAS SOMBRAS

Aqui está um homem extraordinário, aparentemente no auge dos seus poderes. Ainda que recentemente isso tenha ido adiante, fora das suas da sacola preta de operações e informações classificadas para dar consultoria, Duncan Leung diz que sua missão está cumprida: “estou cansado e de saco cheio de qualquer arte marcial”.

Duncan olha para baixo para jogar o cigarro fora. É difícil não dar uma olhada na sua cicatriz de novo. Parte de sua ‘geniosidade negra’ deve-se às suas cicatrizes.

FLASHBACK – Cantão, China, 1942. Duncan nasceu numa família de boas condições. Seu pai era dono de jornais. Vários anos mais tarde eles se mudaram para Macao, quando aconteceu uma tragédia: Duncan testemunhou o assassinato do próprio pai. Está é a cicatriz interna.

Aos sete anos, um trabalho dentário fica infeccionado e leva à cirurgia que, infelizmente, também é mal feita. Resultado: sua mandíbula carrega uma cicatriz profunda, na frente de sua orelha direita. Está é a cicatriz externa.

Então o destino entra em cena, como não poderia deixar de ser: os médicos sugerem artes marciais como terapia pós-operatória. Foi assim, portanto, que tudo começou, para trazer sua cura.

“No começo eu não queria aprender a lutar. Mas depois que eu aprendi artes marciais, fiquei interessado em - eu era um menino mau, de qualquer forma – em machucar pessoas. Eu pensei: ‘É um jogo, é bom, é divertido.’. E comecei a gostar da idéia”.

“Aí você iria lutar com Bruce”.

“Não tanto quanto os jornais dizem... Bruce Lee era bom. Ele era bom quando treinávamos junto com Old Man, e mais tarde (quando voltou de Hong Kong) era melhor ainda. Significava muito para mim o fato do Bruce Lee ter mantido contato comigo”.

ANOS DE EXPERIÊNCIA

A entrevista de Duncan se passou no espaço da escola de Wing Chun, que ele divide em noites alternadas com seu amigo Sifu Hoy Lee, o sênior americano de Jow Ga.

“Por que você está concedendo uma entrevista de artes marciais depois de tantos anos?”.

“Não é para me promover” Não estou mais ensinando. Mas... Eu me sinto na posição de contar minha experiência para as pessoas pelo inferno que passei adquirindo-a.

Sim, eu quero que as pessoas entendam – O que é arte marcial? A arte é – Eu posso te bater, mas você não me bate. E eu quero que saibam – qual a melhor arte marcial? É aquela que te traz confiança, que te convence e que combina com você. Quem é melhor professor? Não é o quanto o professor é bom, mas sim o quanto ele te faz bom.

Por último, o que é Wing Chun? Você domina o seu oponente não pela força ou pela velocidade, mas encurtando sua distância, quebrando seu ritmo – e avançando. Porque eu quero fazer com que você venha a mim.

E só há uma maneira de descobrir o que é útil ou não, se você aprendeu alguma coisa ou não. Tente. Justamente como Old Man nos ensinou: ‘ Quer saber o quanto você é bom? Arrisque, procure briga’. E se você foi bem treinado você não vê, você não enxerga. Apenas reage.”

E quanto mais ele fala de Yip Man, mais óbvio fica que Duncan o venera. Old Man odiava estrangeiros. “Ele cobrou $8, 00. Comecei a treinar com Bruce. Mas continuei observando o que os alunos mais velhos estavam fazendo. Depois fui até Old Man e disse: ‘Isso é tudo?’ É que eu não estava muito impressionado. ‘O que você espera por $8,00?’, ele me perguntou: tem $300 aí?”.

“DEFENDENDO A TIGELA DE ARROZ”

Duncan explica que se Sifu Man tivesse que expor os principais ensinamentos do Wing Chun para os alunos menos informais, em breve ele os veria abrindo escolas concorrentes na mesma rua. Old Man estava apenas “defendendo sua tigela de arroz”.

Então Duncan fez que sua mãe pagasse, durante anos, por aulas particulares. O resto é história. Ele seguiu adiante para se tornar um dos dois ou três melhores lutadores de Wing Chun de sua geração, nivelando-se a Willian Cheung, quem ele conhece e admira.

“E quanto à herança de Yip Man?”.

“O Old Man criou dois problemas... Hoje em dia você vê o Wing Chun, todos pensam que estão fazendo a coisa certa, no entanto 99% das escolas que você for, ensinam de jeitos diferentes. Por quê? Todas vêm de Old Man”.

“Bem, dizem que ele modificaria os ensinamentos de acordo com...”.

“Não. Wing Chun é muito abstrato. Ou você entende ou você não entende. Se não entender, pergunte assim, ‘Sifu, está certo assim, não é?’

Ele sempre disse; ‘sim, você é um gênio, você é o melhor’. Então, o que você pode pensar? ‘Ora, estou fazendo direito, ele (seu colega) está fazendo errado’. E é por isso que – mesmo estilo, ensinando do mesmo jeito – todos fazem diferente.

O segundo problema, ele não te ensinaria nada se não fosse pago suficientemente”.

“Qual foi a lição mais importante que ele te ensinou?”.

“Old Man disse: ‘não acredite em mim. Descubra por você mesmo se funciona ou não. Daí você sabe se fez certo ou errado; daí você tira se o que eu te ensinei é bom ou ruim’”.

“Ele te ensinou a procurar briga?”.

“Nos levou a elas, para falar a verdade”.

“Você não pode fazer isso com os alunos hoje em dia, ou pode?”.

“Não. Old Man disse também: ‘Quer fazer o melhor nas artes marciais? Você tem que: ser jovem quando quiser aprender. E tem que ser impulsivo. Jovem e impulsivo. E tem que ter tripas, ser capaz de suportar alguma dor. Tem que ser rico, para poder me pagar. E acima de tudo, não ter hábitos’”.

“Não ter maus hábitos”.

“Não, nada a ver com fumo ou bebida. Não ter hábitos – problemas familiares, garotas, seus problemas de infância, os problemas de seus pais”.

No mesmo ano em que Bruce Lee deixou Hong Kong, para ir para os EUA, Duncan se mudou para a Austrália. Eventualmente, ele se viu muito envolvido com importação-exportação DOW UNDER, o que significou bastantes viagens.

CONCLUINDO

Em 1970, durante uma viagem de negócios a Nova Iorque, Duncan recebeu uma oferta de trabalho que consistia em dar aulas particulares. Como houve divulgação boca a boca, e com isso Duncan se encheu de clientes, ele abriu sua primeira escola americana na 2 Greet Jones Street Chinatown, Nova Iorque. A América descobriu Duncan Leung.

Houve várias jogadas rancorosas associadas com seu pioneirismo em ensinar em escolas de livre acesso, nesses dias sempre houve sifus que se sentiriam chamados pela honra para desafiá-lo por ensinar “segredos” chineses a “estrangeiros diabólicos”.

No Koon (academia) da rua Great Jones, uma “disputa com o portão fechado”, passou a significar que os oponentes de Duncan não conseguiam sair antes de serem jogados pra fora.

“Como você espera que eu te demonstre o Wing Chun? O único caminho é: ‘Okay,Teste-me’”.

Um dos professores que testaram Duncan foi Ron Van Clief, visto recentemente lutando contra Royce Gracie no Ultimate Fighting Championship IV. Na tradição de seus estilos, Duncan e o Dragão Negro tornaram-se amigos. Eles ainda fizeram um poucos de show business e história das artes marciais juntos através da co-produção do primeiro kung fu na Broadway, uma revisão de astros chamada “Kung Fu - Uma mística excursão no mundo da defesa pessoal oriental”

“Todos estão fazendo Chi Sao demais” ele diz sobre o Wing Chun de hoje. Por quê? “Eles não tem ensinado para você nada além de Chi Sao. Wing Chun é famoso por causa do Chi Sao. Sim, isso é coisa mais importante – para um iniciante”.

“Mas quem luta com Chi Sao? Como se não há contato? Seu oponente não tem de estar em contato para lançar um chute ou um soco em você. Chi Sao é importante para aprender sensibilidade, mas o mais importante é aprender a se cobrir”.

“Veja, nós não bloqueamos. Nós cobrimos. Bloquear nunca funciona. Bloqueando, você tem de ver o que acontece, então você se protege. Cobrir é: antes de acontecer, você se cobre. Então eu sempre estou um passo à frente de você”.

“Na maioria dos estilos, eles batem uns nos outros. No Wing Chun, eu estou cobrindo e batendo ao mesmo tempo. Nós fazemos tudo simultaneamente. Resultado: Eu sou duas vezes mais rápido, e eu não sou atingido”. Pausa.

Nós interceptamos (chutes) usando chutes baixos de parar chutes. Você não pode me alcançar, eu vou parar a sua perna primeiro Se eu estou chutando suas pernas, eu tenho melhor alcance do que você, e é mais rápido (chutando baixo, em vez de chutar acima da cintura).”

“E há prática solo (sem parceiro) demais. Wing Chun precisa ser pré-definido através de repetição, dois a dois, não sozinho. E quando eles fizerem sparring, eles não devem ficar se espancando. Isso é estúpido. Aprenda como não ser atingido.”

Já passa da meia noite quando Duncan finaliza seu interrogatório. O próprio entrevistador está preto e azul de algumas das vigorosas “explanações”. Boas-noites são ditas, ele aperta as mãos com firmeza. Ele é pequeno e blasé, e ainda depois de alguma emoção ríspida, o que Duncan Leung inspira em outro homem, além de respeito é...Lealdade.

Na manhã seguinte seu amigo Hoy Lee tenta colocar uma boa expressão na conversa sobre a aposentadoria de Duncan. “Talvez ele irá apenas dar um tempo por ora...” Ele comenta, “você conhece artes marciais. Épocas boas, algumas ruins, mas isto está sempre em seu sangue.”

Bem que Bruce poderia parar mostrar a Duncan um novo movimento, você não acha?

Por Herb Borkland, que é um freqüente colaborador da revista “Inside Kung Fu”. A última vez que escreveu foi sobre o Sifu de Maryland, Hoy Lee, na matéria de agosto de 1995

Entrevista Mestre Li Hon Ki - 1995

WING CHUN, WING TSUN, WING CHUN OU VIN TCHUN, NÃO IMPORTA COMO O NOME DESSA ARTE É ESCRITO.

O QUE IMPORTA É A SUA EFICIÊNCIA.

A partir desta edição estaremos mostrando o trabalho do Mestre Li Hon Ki que, curiosamente, após estar 15 anos no Brasil ensinando o Hung Gar, o Tai Chi e o Wing chun, transferiu para o seu discípulo Gilberto Giovani o controle do estilo Hung Gar, e partiu rumo à Virgínia, nos Estados Unidos, onde ficou por um período de um ano e meio desenvolvendo o Wing chun com o Grão – Mestre Duncan Sil Hung Leung que na realidade é um comerciante de sucesso, não vive da arte marcial. Dá aulas somente para a elite do exército norte-americano, e é o único mestre reconhecido pelas forças armadas ianques. Ele dá aulas para o pessoal do FBI e da marinha daquele país.

Qual o nome de seu atual Mestre de Wing chun?

“Meu mestre reside atualmente nos Estados Unidos. Seu nome? Duncan Sil Hung Leung”.

Qual o motivo de sua ida aos Estados Unidos?

“Fiquei mais de um ano nos Estados Unidos e lá treinei com meu mestre, e senti que pela primeira vez treinei Wing chun de verdade, pois, antes, havia treinado com cinco mestres da arte e nunca fiquei tão satisfeito como fiquei ao treinar com meu mestre atual”.

Por que treinou com cinco mestres?

“Comecei a praticar o estilo Wing chun em 1968 e após alguns anos de pratica não me sentia satisfeito com meu primeiro mestre, não porque não quisesse me ensinar, mas sim porque sentia que faltava alguma coisa. Então procurei outros mestres para tentar esclarecer minhas dúvidas e assim, em vinte e cinco anos de prática do estilo Wing chun, treinei com cinco mestres. E mesmo assim, aquela dúvida que sentia dentro de mim continuava, e sempre que precisava usar minha arte percebia que aquelas técnicas de Wing chun não funcionavam. Isso até encontrar meu atual meu atual mestre Duncan Sil Hung Leung, pois, a partir daí, descobri que o Wing chun é a melhor arte marcial que conheci”.

Na sua opinião, o que uma pessoa busca na prática de uma arte marcial?

“Dei aulas de Kung Fu, não somente de Wing chun, mas sim de vários estilos e digo aos meus alunos que não vou ensiná-los a bater em outra pessoa porque você pode ver em brigas de rua que até as crianças que nunca treinaram arte marcial sabem bater e sendo assim o que ensino para meus alunos é aprender a não apanhar, porque para não apanhar você precisa treinar arte marcial, e no Wing chun todos sabem que o fundador dessa arte é uma mulher e por mais que treine, uma mulher não vai atingir a força e o vigor físico de um homem e por essa razão o Wing chun é um estilo diferente de outros estilos de arte marcial, pois torna o praticante capaz de vencer um oponente muito mais forte do que ele, já que usa a força juntamente com a energia do oponente e isso torna o ataque mais forte, possibilitando derrubá-lo, apesar das diferenças de peso e tamanho”.

Fale sobre o aspecto técnico de sua arte.

“O estilo Wing chun usa técnicas de defesa de forma que esta sirva também como um ataque, e o ataque pode funcionar também como bloqueio e existem ainda formas de proteger o corpo através do domínio de três linhas, a da esquerda, a da direita e a central, não dando condições ao adversário de entrar com o ataque. Quando o praticante aprende a proteger-se através do domínio dessas três linhas, fica muito difícil golpeá-lo”.

Como são divididos os treinamentos e técnicas de luta?

“O Wing chun pode ser dividido em três níveis: o primeiro ensina ao praticante como usar o braço para defesa; o segundo usa o braço e a perna para defesa; e o terceiro usa técnicas que tornam possível interceptar o ataque do oponente. Nessas técnicas não existe distinção entre defesa e ataque, pois as técnicas de defesa servem para defender-se e, juntamente, para machucar o adversário durante o seu ataque, e se o praticante usa um ataque, este serve, também, como defesa.

O Wing chun não usa defesa para bloquear e depois contra-atacar, mas num único movimento, no qual tudo está incluído.

O Wing chun possui um método de desenvolvimento de energia no qual os exercícios como flexões, por exemplo, são bem distintos de outros métodos e desenvolvem o trabalho interno do soco (chee hung choi), assim como o exercício abdominal não serve apenas para desenvolver o abdômen, mas desenvolve a energia necessária para a prática do chute.”

O Wing chun é famoso por usar técnicas de curta distância. Essa técnica é mais eficiente do que as técnicas de longa distância utilizadas em outros estilos?

“O Wing chun possui técnicas de longa e de curta distância e as duas possuem igual valor. Nas técnicas de longa distância é utilizada a energia do ombro, e na técnica de curta distância, a força do cotovelo.”

Qual a importância da base no Wing chun?

“A base do Wing chun é bem diferente de outros estilos. Todas as bases partem da base principal que é chamada pela maioria dos praticantes de Wing chun de “Yee (dois) Ji (letra) Kim (fechado) Yeung (carneiro) Ma (base) e a forma correta de pronunciar-se é Yee Jii Kim Yeung Ma.

Essa diferença é tão importante que se o praticante de Wing chun não souber o nome certo dessa base, seu caminho já está errado. Cada mestre montou seu próprio jeito de base, mas se você souber o certo, não precisa montar nada, pois só com o jeito certo é possível soltar a energia e aplicar a técnica corretamente. Esse método possibilita soltar a energia do quadril e ombro para executar com eficiência a técnica “Chee Hung Choi” (soco do sol) que utiliza, além da base, quadril e ombro, a energia do cotovelo.”

Quem aprende a forma do Biu Je já pode se considerar um praticante avançado de Wing chun?

“O Wing chun possui três katis (formas) de mão: o ‘Siu Lim Tao’, ‘Chun kiu’ e ‘Biu Je’, e o fato de conhecer essas três formas não quer dizer que o praticante saiba utilizá-las durante um combate. Saber apenas as formas é semelhante à pessoa que sabe as letras do alfabeto (a,b,c,d,...) e não consegue encaixá-las nas palavras.

A teoria do Wing chun posta em pratica é como dar um ‘tapa na água’. Você afunda a água de um lado e ela levanta do outro.

No Wing chun, quando o praticante faz o primeiro movimento, ele já sabe qual será o segundo movimento a ser utilizado, devido ao treinamento de sensibilidade do ‘Chi Sao’.

Em outras academias, você aprende primeiro filosofia, história e um monte de Katis; e o aspecto marcial da arte, a luta em si, fica como promessa de que um dia ele a aprenda de verdade e fique bom de luta. E quando o praticante olha para trás, já se passaram 3, 5, 10 até 20 anos e ele continua sem segurança, sequer para dar um soco que seja realmente eficiente. Na minha academia não é assim, o aluno aprende primeiro a se defender e não apanhar na rua; depois de ficar bom em luta, começa a aprender a filosofia e a história do estilo.”

Por que o senhor dá tanta importância ao aspecto marcial, a luta em si, enquanto que outros mestres colocam este aspecto em segundo plano, dando preferência à arte, filosofia e história do estilo?

“Hoje em dia, para se iniciar numa arte marcial tem de ser muito rápido, porque você pode ter problemas nessa sociedade deturpada e violenta. Temos de desenvolver a prática, e a qualquer instante aprender a lutar e se defender na rua o mais eficiente e rapidamente possível.

Um bom mestre de arte marcial é como um médico, que pode salvar a vida de uma pessoa como também matá-la, porque se esse mestre enganar o aluno, este pode este pode achar que é bom e quando precisar se defender na rua pode vir a ser morto. Mas se o aluno aprender a técnica verdadeira, isto pode salvá-lo de um grande perigo. O mundo está mudado, e assim os métodos de ensino das artes marciais devem acompanhar essa mudança, contudo, sem perder a sua tradição milenar. Na minha academia, primeiro o aluno deve preparar bem o corpo, aprimorar sua técnica e só depois é vai praticar Wing chun como uma arte.

Quando uma pessoa entra numa academia, ela não está procurando apenas uma boa saúde que é somente uma parte do seu objetivo, isto porque se for treinar só pensando nisso, então é melhor que pratique Cooper, natação ou jogue futebol. Mas se essa pessoa escolhe a arte marcial é porque busca, além da saúde, proteger seu corpo de um perigo que possa prejudicar sua vida, sua saúde, seu bem-estar físico e mental, e o da sua própria família. Quanto ao aspecto espiritual posso dizer que o nosso corpo é como um templo, onde habitamos em espírito e devemos protegê-lo para que o espírito possa ficar nele o tempo determinado a cumprir sua missão nesta vida.”

Por que o Wing chun difere de mestre para mestre, enfim, porque o Wing chun é diferente nos estilos?

“Yip Man tem um só Wing chun, mas ele não ensinou a fundo essas técnicas, e quando seus alunos perguntavam se estavam bons, Yip Man apenas concordava dizendo, ‘sim, você está muito bom, está ótimo’. E esses alunos, que hoje são mestres, acham que são mesmo muito bons, mas na verdade nenhum deles, exceto meu mestre Duncan Sil Hung Leung, aprendeu os níveis avançados de Wing chun.

Fica difícil provar a palavra do meu mestre porque Yip Man já morreu, então, a única maneira de provar é com os meus punhos, e se alguém acha que possui técnicas secretas ou avançadas do patriarca Yip Man, eu o convido a vir a minha academia e então vou mostrar qual técnica é a melhor do Wing chun, tanto em luta como em Chi Sao.

Meu mestre teve aulas particulares com Yip Man por 4 anos e diz que os dois alunos mais antigos do patriarca que ainda vivem são o Grão-mestre Lok Yiu e Choi Seun Tin, e ambos afirmam que o único que sabe o Wing chun completo é o meu mestre Duncan Sil Hung Leung.”

Mestre, quais são as suas palavras finais, enfim, que mensagem gostaria de transmitir aos que levam a sério a prática do estilo Wing chun?

“As técnicas do Wing chun devem ser treinadas de maneira repetitiva e contínua, pois só através da prática que se torna possível assimilar o conteúdo do sistema e adquirir um grau de sensibilidade e percepção suficiente para serem utilizadas em combate.

Se você está interessado em aprender Wing chun tem de estar disposto a praticá-lo de corpo e alma, mas se treinar Wing chun somente porque é o estilo que Bruce Lee aprendeu ou porque achou bonita a propaganda na revista, então nunca aprenderá Wing chun com sucesso. Você deve procurar entender se o Wing chun é realmente o que está buscando para si dentro dos estilos de artes marciais, e se for, aí sim, com certeza você aprenderá essa arte.”

Nota: na próxima edição*, Mestre Li Hon Ki mostrará alguns aspectos técnicos de sua refinada arte do Wing chun. ■

*Entrevista concedida por Mestre Li Hon Ki à revista Kiai em 1995.

Destrinchando o Muk Yam Jong, o boneco de madeira do Wing Chun, em uma análise de caso. Parte II

Pois é, assim como o personagem do game Tekken, Mukujin ( 木人) lit. Pessoa de Madeira, Uma corruptela de seu alter ego, Muk Yan Jong ( 木人...