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domingo, 29 de dezembro de 2013

SIFU MARCOS SAYS THANK YOU TO READERS ALL OVER THE WORLD






I'd like to say thank you so much to all readers around the world that have accompanied my blog "Blog do SiFu Marcos" so far. These international readers are increasing a lot and then I'm totally surprised. That's fantastic! I have to mark it that half of that all readers belong to the USA these last two months. Considering just last month they are eighty per cent of all visitors.

I have about 2, 500 to 5,000 readers a month. Considering this a technical blog, there are many people interested in authoral information about Wing Chun over the internet. I believe that our work with professional MMA and our confidence that Wing Chun fills that space between striking and takedowns - independently what art we work with - as we are doing here with UFC Hugo "Wolverine" Viana and the former K1 Champion Ewerton Teixeira and opening space to work with another athletes in the future made many people take us seriously as some coaches are just doing. This year (november) we presented our work to Cigano's BJJ coach and Luiz Dorea mentioned our work (in spite of Hugo had lost his last fight he used a typical Wing Chun elbow to break his opponent nose and a great fence work using our art) and many important brazilian trainers met Leonardo Chamusca, my partner in this job.


However, I don't know how many among these readers are also brazilians, portuguese or have another nationality or second language as Spanish or Italian that facilitates the reading once this blog is written in Portuguese, a latin language. As a matter of fact the google translator make it easier than ever. There are many from europe too, specially Germany and Russia. 

It doesn't matter what color has our skin, or what is our language, Wing Chun is a style that depends on our mental work. Reach the roots of that knowledge is just the first step and many of us stop there. Right after that you have to improve constantly, discovering a secret that in fact our style doesn't hide but shows up moment to moment, inviting you to go beyond of it using your personal power. Thank you for your confidence. And sorry for my poor English.

A Happy New Year 
Have a wonderful year ahead
SiFu Marcos Abreu

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

ME BATE QUE EU TE MOSTRO - a conversa mole, a farsa e a violência como componente das demonstrações de artes marciais. - Por SiFu Marcos Abreu




NÃO ACREDITA EM MIM? PODE BATER.

Acabo de ler num fórum de internet onde sou moderador uma declaração muito bonita de um estudante sobre as habilidades de seu Mestre. Segundo este estudante, seu mestre é capaz de proezas de que poucos na posição dele são; ele é rápido, astuto e pode derrotar um homem em segundos. Para confirmar sua tese, ele menciona um episódio em que um cético invadira a sua academia, a princípio por troça, mas acordara depois do mestre desafiá-lo:

- Bata-me do jeito que quiser!

Eu que sou macaco velho em arte marcial notei neste depoimento uma ocorrência muito comum no ritual das visitas de curiosos a academias de luta: o batidíssimo..."- Me bate que eu te mostro!"

O "Me Bate que Te Mostro" é um ato de demonstração de um mestre habilidoso na arte de conduzir pessoas, e depende necessariamente de pessoas impressionáveis, assim como o hipnotizador precisa de uma pessoa suscetível, para que suas habilidades apareçam, ou do logro sério do estelionatário, que se vale do desespero alheio para que a obviedade mentirosa de seu truque seja ofuscado pela ânsia ou ambição da vítima.

Não é preciso dizer que o mestre defendeu o golpe do ousado rapaz que veio de fora. Mas é claro que sim. A partir do momento em que dou um comando, eu tenho o "tempo certo" para agir. No Wing Chun, uma luta que já é feita para reações rápidas na curta distância e na condição da desvantagem, essa premissa é particularmente necessária.


MOSTRA DE UM LUTADOR DE RINGUE X VENDEDOR DE "DEFESA PESSOAL"

Quando um instrutor de boxe pede para que você desferir um golpe, geralmente ele mostra uma nuance técnica, algo que é facilmente verificável em combate, que já foi feito centenas de milhares de vezes diante das câmeras, por exemplo. Isso ocorre porque lutas de ringue tem um repertório mais simples, e o resultado desejado pelo público é estimulado pelas regras, movimentação, ambiente e ética do esporte, para que o combate não vire um ato de selvageria. Não há necessidade de mostrar uma habilidade pessoal, pois isso será feito de qualquer jeito, pois as pessoas lutam de fato. A pessoa que está lá viu o que é a luta, e tem uma ideia ao menos do que seja, e a demonstração geralmente vem como parte objetiva na busca por um gesto técnico (reparem bem) real, dinâmico e de resultados verificáveis.

Já o vendedor profissional de defesa pessoal (tirando as exceções necessárias, uma vez que cada arte marcial ou tem um repertório de defesa pessoal ou a própria arte funciona como) tem a necessidade de provar que a fantasia que ele vende pode funcionar na prática, ainda que o fato de você ter sque usar o que sabe para salvar a vida por si só já demonstre o quanto a sua estratégia de prevenção foi fracassada. Por isso o "me bate que eu te mostro" é tão imprescindível; a habilidade do mestre em usar uma técnica "mortal" (obviamente o cara não vai te matar para mostrar, e muitas vezes nem mesmo seria capaz disso) de forma mais branda, derrubando, imobilizando, batendo num voluntário cria a ilusão que o mestre é o detentor de todas as respostas: mas e se o cara faz isso? "Zum!" E isso? Pá!!! A sonoplastia é também parte do show do mestre na maior parte das vezes. Não há qualquer garantia que a movimentação vá funcionar, ou que alguém da academia ou mesmo o professor tenha realizado o movimento numa luta de rua uma vez sequer na maior parte dos casos, ou mesmo seja capaz de reproduzir a técnica num combate amistoso com os alunos. Ou seja, você confia a sua vida a um tiro no escuro. Um tiro que, pelo menos na demonstração, tem hora, local e forma definida, justamente o oposto do ambiente chave para a validação da técnica/arte.

PORRA, BICHO, QUE PANCADA!!! VOCÊ VIU??!!!

Um grande amigo meu do passado havia ido a uma academia de Kung Fu, e logo vem a inelutável demonstração:
 - Mestre?
- Sim, filho.
- Mostre-me a pata do Dragão
- Pá!!!
- Mestre?!!!! Por que me bateu?
- Dragões nunca dormem, garfanhoto.

O soco de uma polegada, a pueril demonstração que Bruce Lee executava nos anos sessenta, uma mistura de biomecânica corporal e truque circense, valia-se do soco do Wing Chun para demonstrar que mesmo sem um grande espaço, uma pessoa pode gerar grande poder. A pessoa tomava um grande susto, na maior parte das vezes, recebendo um forte tranco para trás, ao receber o soco sobre um protetor e caia sobre uma cadeira colocada atrás dela , para dramatizar mais o truque. Outros tempos. No "me bate que eu mostro", a coisa pode ficar perigosa para o iniciante quando, sob pretexto de mostrar poder de punch, o mestre ou instrutor te desfere um golpe diretamente, e você gemendo , sentindo forte dor local torna-se a atração principal. "Eu (bato) te mostro". E tome torção. E tome chute na coxa. Soco na barriga, Pá!!! Nossa, quanto poder! Afinal, é toma lá, dá cá, você já teve a sua chance de bater antes.

Se alguém precisa te golpear sem te dar a chance de defesa para mostrar habilidade, com energia desproporcional ao objetivo da demonstração, você provavelmente está diante de um profissional inseguro, incompetente e, principalmente, que não se preocupa com sua segurança ou bem estar.

Obviamente há casos e casos, mas lembre-se quanto mais controlada (me bate!), difícil, cheia de malabarismos e com atos de violência é composta a demonstração das habilidades de um mestre de artes marciais, maior a probabilidade de ela não funcionar para você se realmente precisar, especialmente se você for uma pessoa comum, sem grandes habilidades ou força física. E que quanto mais um mestre está ávido para mostrar o que sabe, é bem provável que menos ele consiga colocar em prática o que demonstra. Um mestre realmente seguro não sente necessidade de se exibir.
















sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Defesa Pessoal, a falácia da pilantragem marcial - Primeira Parte.

A moça tenta me explicar a questão dos cheques pré-datados, preços, vantagens, condições de pagamento, mas, afora a surpresa com os valores, estou desatento. Tento desvencilhar-me dela para enxergar o que está acontecendo. No centro do tatame, o professor, de pé, cintura para frente e mãos à faixa, vaticina: 

"Não podemos perder viagem, senhores. Este chute irá quebrar o joelho do inimigo, colocando-o fora de combate."...

Lembro-me do meu aluno e amigo Eduardo Rafael imediatamente. Ele foi morto há dois meses durante um assalto em frente ao prédio em que morava em Salvador. Identificado como policial, não teve outra alternativa senão reagir. A aula prossegue:

"...porque nós temos de matar. O inimigo nos quer matar e não podemos perder tempo, devemos fazer o mesmo."

Eu gosto das técnicas que vejo, elas são muito boas, tomadas isoladamente. Mas me preocupo com duas coisas; a primeira delas é  o discurso excessivamente positivista do professor. À medida em que ele avança na aula, dá a impressão que ele realmente acredita que reagir é uma boa opção a ser tomada. A segunda é uma dúvida que não me sai da cabeça, qual a conexão, qual o elo que uniria as técnicas de forma a criar um padrão existente, pois são muitas técnicas e sei, por experiência própria, que na hora do estresse elas devem surgir com a espontaneidade que a repetição exaustiva - somada a um controle emocional diferenciado - proporcionam, o que confirma o conhecido jargão marcial "mais vale uma técnica bem dominada que mil delas pela metade", e quando as técnicas são montadas com um mesmo padrão motor as coisas ficam mais fáceis, pois elas organizam o caos que geralmente nos atropela nestas situações, fazendo que dependamos um pouco menos do fator emocional. Assim sendo, artes marciais consagradas tem o seu padrão. O BJJ usa o contato agarrado no solo e alavancas, o Aikido o padrão circular da movimentação somado às torções e assim por diante. Ainda assim, artes marciais surgem para a soluções de determinados problemas em luta, não compreendem tudo o que pode acontecer numa luta irrestrita. Se não fosse assim, não existiriam tantas artes marciais.

Mas este ainda não é o ponto.

***

A morte de Eduardo foi particularmente dolorosa para mim. Ele não apenas havia entendido a proposta interpessoal na prática do Wing Chun, fazendo boas amizades e ajudando a escola e a mim diretamente, mas vinha se tornando um amigo muito querido. Colega de classe de meu irmão e de meu amigo, compadre e aluno Gustavo Gomèz durante o Liceu, ele era um homem atencioso, chegava aos lugares com um olhar que num primeiro momento pareceria talvez um pouco ingênuo pela curiosidade, mas logo abria um grande sorriso que era a sua marca registrada e agradava em cheio com suas piadas curtas e sempre oportunas. Ele sempre estava disposto a ajudar e não raro chegava à escola com algum equipamento para fazer alguma melhoria no nosso espaço físico, que é ainda muito humilde.

"Sair de um mata-leão é fácil", diz o professor, e neste ponto eu quase me ofereço para testar aquela afirmação pouco provável uma vez que a técnica esteja realmente encaixada. Eu me canso e vou para casa. No caminho, fotos do grão-mestre, um homem franzino, usando uma técnica praticamente igual ao nosso Tan Da (eu digo nosso porque nós fomos a primeira escola de Wing Chun a executar o Tan um pouco mais alto, no que fomos exaustivamente copiados depois) para desarmar um homem com um  bastão. Uma aspecto algo militarista meio que dá a atmosfera da escola. 

Na noite que Eduardo morreu, uma espécie de ensaio macabro se configurou. Um de meus alunos contou uma história hilária em que um seu amigo, policial federal, reagiu a um assalto e o bandido, desarmado, malandro, saíra correndo e pedindo desculpas ante a visão da arma, e isso deu ensejo a uma discussão sobre prós e contras no que diz respeito a reação em caso de assaltos armados que durou todo o nosso aquecimento durante a aula. Depois da aula, meio que sob este clima, guardamos a saída uns dos outros. Eu gritara o Wesley (vide matéria sobre o "kickboxe" do applied wing chun) dizendo que o carro dele ficara muito distante da academia, enquanto Eduardo tirava o seu próprio veículo, tendo esperado até que Wesley fosse embora para seguir seu caminho.

***

"Marcos, Tenho uma notícia não muito legal para te dar". Era meu advogado. Logo pensei que era a família de minha filha mais velha tentando levar-me ao cárcere novamente. Por mais que diabos ligaria tão cedo?

"Marcão, Eduardo foi assaltado e baleado ontem à noite, levou quatro tiros e está no Hospital Geral". Estou aqui, doando sangue." "Merda, merda! Você está variando, homem? Eduardo estava treinando aqui ontem à noite, falamos disso a noite toda!". "Então você foi a última pessoa a falar com ele antes do ocorrido. Disseram-nos que ele está estável. Venha para cá". Eu fui. E, no caminho, mil pensamentos assomavam, eu sentia uma culpa tremenda, foi algo surpreendente, e eu era seu guia nas artes marciais, eu era o culpado por isso ter ocorrido. A escola estava em maus lençóis, e Eduardo era um dos que estavam ajudando a segurar a onda, pagando as mensalidades mesmo sem frequentar o Mo Gwun. No meu aniversário, dias atrás, dera-me por presente a trilogia de Matrix, que soube que eu adorava. Eu tinha consciência plena do grande ser humano que tínhamos ali mesmo antes disso acontecer, E quando me vi, lá estava eu deitado na maca, doando sangue com um outro colega de classe  de meu irmão no colégio, Breno, doando sangue. Conversamos rapidamente. "E aí, Marcão, você continua 'Shaolin', como na época da escola, ou desistiu?"  "Não desisti, e essa é precisamente a fonte de todos os meus problemas", limitei-me a dizer. Logo após isso, ele atendeu um telefonema. Seu rosto repentinamente empalideceu, mudou e murchou e ele começou a chorar em pequenas convulsões de desespero. "Ele morreu", disse. Saímos ao hospital, e quando percebi que nunca mais veria meu amigo, chorei, e chorei como não chorei quando perdi, um a um, os meus avós.

Aos poucos fui sabendo dos detalhes, embora talvez nunca iremos saber o que fato ocorreu naquela noite. Eduardo fora rendido ao descer do carro para abrir a garagem de casa. Ato reflexo, ao levantar os braços  teria aparecido a arma na subida da blusa, e ele teria sido identificado como policial. Outra versão defende que um dos bandidos teria visto uma das armas dentro carro. Como me disse Gustavo durante o enterro, este tipo de situação é particularmente dramática, pois o ladrão pensa "Tenho de matá-lo, pois caso contrário serei perseguido e morto". Por seu turno, o policial pensa: "Ele vai me matar pois sou policial, talvez se eu tentar algo eu tenha uma chance". 

Continua...







Destrinchando o Muk Yam Jong, o boneco de madeira do Wing Chun, em uma análise de caso. Parte II

Pois é, assim como o personagem do game Tekken, Mukujin ( 木人) lit. Pessoa de Madeira, Uma corruptela de seu alter ego, Muk Yan Jong ( 木人...