quarta-feira, 8 de agosto de 2012

GOLPES DE WING CHUN: Chaang Gerk





Aproveitando três fotos tiradas na rua de casa, ainda que forma amadora (teria de ter uma quarta e quinta fotos para mostrar melhor o começo e o finalzinho do golpe, mas já dá para explicar) começamos a explorar nossa nova seção Golpes de Wing Chun com Chaan Gerk 撑


Chaang Gerk é uma das Oito Energias dos chutes de Wing Chun e pode ser considerado um chute lateral por excelência. Como a maior parte dos chutes de Wing Chun, ele envolve todo o corpo em sua aplicação, já que no Wing Chun, para seu uso em ambientes de combate irrestrito ou sem regras como são os combates de rua e agressões, devemos gerar o máximo de potência com o mínimo de espaço. Seu uso envolve situações de contra ataque nas quais você está com a perna parcialmente esticada devido a uma cobertura de perna (não usamos a expressão "bloqueio" de perna) ou uma saída lateral, por exemplo, como quando executamos Man Sao no boneco de madeira (Muk Yam Jong) de treinamento.

No exemplo das fotos acima, na primeira foto à esquerda SiFu Marcos usa Chaang como se fora defender-se de uma canelada que viria pelo seu lado esquerdo. Como ele não sabe a altura que virá o chute, ele começa sua movimentação em busca da perna de apoio de seu oponente, colocando entretanto, sua cobertura num angulo triangular que coincida com sua perna caso a canelada venha na altura baixa. Na altura média, seu Dai Bong Sao acompanha a subida da perna e cobre a região de seu abdome com um movimento ascendente, enquanto a cabeça e o troco se vão inclinando para evitar tanto a canelada quanto o soco que, em situações em que enfrentamos um oponente experimentado em ringue, podem vir com um intervalo de tempo muito pequeno.

Na segunda foto, SiFu Marcos transforma sua cobertura em Chaang Gerk. Para que o golpe tenha força, ele faz um forte tranco para baixo com seu ombro direito, ainda que seus braços estejam a subir em Kwan Sao para proteger a cabeça, caso o chute escape. É deste giro que o chute tira sua força, ajudado pelo movimento de "forças em direções opostas" se consideramos a direção em que vai sua perna direita, e a que vão seus braços. Quanto mais SiFu Marcos joga seus braços para trás e para cima, mais força é gerada e mais estabilidade ele terá para recuperar o equilíbrio, perdido como demonstra a foto três. neste ponto a perna do adversário pode ser atingida e levar o adversário ao chão, ou ainda atingir a região sacra ou parte interna da coxa. É um golpe de relativamente fácil aplicação e muito poderoso. No ataque direto ele adquire outro nome e tira energia de uma outra forma, mas isto é assunto que fica para a próxima vez.



Exemplo de aplicação de Chaang Gerk contra canelada (0:10s).

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Comentando o "kickboxing" do Applied Wing Chun

Para chegarmos bem aos mil acessos neste mês, e aproveitando a segunda vinda de meu aluno Dido, bem conhecido no Wing Chun por blogar este tema, a Salvador para treinar Sil Lim Tao, primeiro nível do sistema, vim pisar de vez na cabeça dos nossos (poucos) detratores que, nos últimos meses, assim que saíram nossos primeiros vídeos, começaram a procurar nossos contatos na internet e aconselha-los a não fazer nosso curso de formação de instrutores porque este que vos escreve seria um sujeito sem cultura que, ao invés de ensinar o "tradicional" Wing Chun Kuen Phai ensinaria uma versão porradeira e kickboxeada da luta.

Como eu entendi depois algum tempo que a melhor maneira de combater esta gente pequena é deixar a mesma abrir o bueiro, deixei rolar à vontade, mas graças a Deus me ocorreu aqui de abordar este tema porque as pessoas realmente, por ignorância (no sentido óbvio de desconhecer algo) acabam achando que a gente não faz wing chun, e que é uma heresia usar estas luvas de boxe malditas, e todo este equipamento que nos deixa parecidos com aqueles heróis de seriado japonês. Então, até mesmo para meus diletos amigos que são profissionais de wing chun de outras escolas, vai a explic...ups, comentário, porque quem tem de se explicar é quem deve algo, e não eu. Então em poucas linhas vocês entenderão o porquê de tanto aparato durante o treinamento.

O Wing Chun de nossa família é marcado pela máxima confuciana que diz que "A essência do conhecimento consiste em, uma vez possuído, aplicá-lo". Foi este o enfoque dado por Yip Man a Leung (Duncan) Siu Hung e por este último a seus seguidores. Sendo assim, nossa escola é também conhecida como a escola do "Primeiro Contato". Isso porque como o nossa luta supõe que nosso oponente será mais alto, mais forte, mais rápido ou tem algum tipo de vantagem, numérica ou ainda de meios, sobre nós, devemos então tirar o máximo do que temos para compensar. Neste caso específico, usamos as extremidades mais distais ou rígidas de nossos ossos combinados a movimentos biomecânicos que visam jogar a toda a força de nosso corpo contra o seguimento "mole" do corpo do adversário que está no ataque em curso, fazendo com que o mesmo se machuque a ponto de desistir de continuar a nos agredir e saia da disputa.

Marcelo mostra biomecânica defensiva-ofensiva do Wing Chun na TV

Sendo assim, quando atacados por grandes ataques circulares, usamos por exemplo, o Tan Sao expondo o cotovelo. Num treinamento, ou numa agressão muito forte, o contato do antebraço com a defesa pode, além de gerar grande dor, paralisar o nervo radial e deixar o oponente sem mover alguns dedos por algumas horas.


Wesley usa proteção e luvas durante treino de Pak 


No Pak Sao a grande ardência da pele pela repetição das defesas explosivas exige a presença de um protetor de antebraço, que pode ser substituído pela luva de boxe nos treinos de contato, já a que luva impede que o tapa seja executado com total perfeição e força. Seguindo o mesmo raciocínio, quando usamos nossa perna contra a perna adversária procuramos as articulações e mesmo o pé, pisando a ponta para gerar uma alavanca que "estoure" o tornozelo. Como nem sempre é possível treinar dessa forma sem inutilizar o parceiro por alguns dias, geralmente chutamos na canela, e uma vez na defesa posicionamos o corpo para, novamente, o inimigo enfrentar com sua canelada todo o peso de nosso corpo.

SiBak Falkner se cobre. Seria melhor ter chutado a pilastra.

As pessoas estranham ao nos ver com luvas de boxe. Elas não entendem que nem sempre usamos as luvas para ter um maior contato físico, mas para proteger nossos dedos frágeis do cotovelo que usamos gentilmente contra os jabs. Um de meus alunos treinou com SiFu Paulo Júnior, a quem ajudei recentemente a afiar a técnica, sem ouvir meus apelos de que colocasse uma luva de boxe, ao invés da de freestyle. Paulo é muito bom com esta técnica. O aluno quebrou um dos dedos e ficou dois meses parado.



Johnny Tiger ajuda lutador a fazer kwan sao com olhos bem abertos, molhando-os.


 Dido chuta bem. Foi recrutado a ajudar SiFu.


Não é possível treinar nosso repertório técnico sem proteger-se minimamente. Quando digo que calejamento shaolin ou de Muay Thai não é suficiente para evitar essa dor absurda, as pessoas não acreditam. Mesmo quando fazemos campings usando thai boxers profissionais, eles têm de ficar cobertos de equipamento dos pés a cabeça, porque respeitam nossa especificidade e não a subestimam, pois devem proteger-se, em especial nas técnicas em que reagimos da posição parada, que é nossa especialidade para as situações de combate irrestrito ou "de rua". Se temos recursos, porque não usá-los?





 Depois de um dia inteiro de treino, todos exaustos.
SiFu Marcos e seus discípulos em seu MoGwun


Pessoal, vou ficando por aqui. Treinando à noite o sono vai embora, e já é dia claro de mais treinamento antes que Dido volte ao Recife. Confiram no link abaixo Dido executando Tan Da Lien Wan Choi na manopla, usando os cotovelos para se cobrir de ataque circular. Estou à disposição para esclarecer qualquer dúvida adicional. Quero agradecer por fim todo apoio da comunidade do kung fu e especialmente a do Wing Chun à minha última postagem. Nosso Wing Chun é a nona geração desde seu início. Sabemos de cor o nome e a história de cada mestre que nos precedeu, e o que cada um trouxe de único ao que a arte é hoje, e procuramos honrar este esforço ancestral com o melhor. Entretanto, se não pagamos de monge nos treinos, se não vestimos vestes tradicionais, isso pouco importa, até porque Wing Chun foi um estilo treinado reservadamente até uns 60 anos atrás, de forma que nunca houve uniforme oficial, ou original. Não é se vestindo de punk que você vai ter o underground vivendo em você, só para ficar num exemplo mais visual, não são suas roupas, seu moicano ou seu equipamento, que tornam você diferente, são nossas suas atitudes perante nossos antepassados, nossa família Wing Chun, nossa família filial, nossos amigos e a sociedade. Isso, temos de sobra. Abraço!
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sábado, 5 de maio de 2012

SiFu Marcos participa de treinamento de atleta do TUF Brasil

Há quase um ano atrás eu escrevia aqui neste blog um artigo polêmico já pelo título em que eu anunciava que treinar Chi Sao e Lap Sao não prepara ninguém para uma luta. Como era-me difícil escrever sobre este assuntos para leigos, fiz uma introdução sobre o assunto que gerou discussões acaloradas na internet (vide link do tópico: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=1268204&tid=5642465628349929732), onde todos logo entenderam erroneamente que eu disse que esta técnica não prestava, ou não era passível de aplicação pratica, e prometi um artigo que serviria de continuação ao primeiro que ficou só na promessa mesmo, em parte por ser algo difícil de escrever, em parte porque isso mexe com aquelas coisas extremamente subjetivas em Wing Chun como estes tais exercícios que mais parecem coisa de filme de kung fu de terceira categoria, e eu não quero ser visto como um destes teóricos que não entendem nada de luta de verdade. Mas agora, como este título no post, certamente todo mundo vai ler e entender o que tenho a dizer, porque agora temos milhões de testemunhas daquilo que queremos mostrar, e os resultados são perfeitamente verificáveis em vídeo.

Confesso que não sou um cara totalmente aficcionado em lutas hoje como era antigamente, quando eu era um lutador em todo o sentido da palavra. Afora algumas lutas do UFC de caras que sou fã e que vejo de vez em quando, se alguém me mostrasse o título deste texto algumas semanas atrás eu provavelmente perguntaria "Quem fez esta proeza?"

Pois bem, eu havia encontrado numa competição de MMA, a qual fui convidado por meu cunhado, um antigo ex-parceiro de treino e colega da faculdade de Educação física chamado Leonardo Chamusca e que hoje é preparador físico de atletas profissionais. Nós treinamos durante aproximadamente um ano os basics do wing chun na mesma academia em que o então vice-campeão mundial de jiu jitsu Rodrigo "Minotauro" Nogueira dava aulas. Léo, como o chamávamos, já era instrutor de Wing Chun e aficionado em MMA, e treinava BJJ sob a orientação de Nogueira, enquanto eu ia tomando minhas primeiras lições particulares com SiFu Li Hon Ki. Desde aquela época Chamusca já tinha idéias extremamente avançadas para época sobre como poderíamos colocar o aquilo que aprendíamos sob uma perspectiva mais prática.

Anos se passaram, e um dia Léo chegou com uma proposta de levar o Wing Chun para o MMA, e que precisava de um especialista no assunto. Logo de cara eu torci o nariz para a idéia, porque geralmente os entusiastas do Wing Chun não o entendem o suficiente para entender que o mesmo não é uma luta de ringue, mas um método de defesa pessoal desenvolvido por monges zen extremamente particular e focado para um objetivo diverso e um público alvo muito diferente de atletas profissionais, embora mestres ainda sustentem que o wing chun é algo mortal demais para ser usado plenamente numa luta. Ouvi este tipo de merda a minha vida inteira.

Foi aí que Léo me surpreendeu. Ele dissera que tinha uma dificuldade (leia-se oportunidade) muito particular com um atleta que era preparado fisicamente por ele, um lutador oriundo do Tae Kwon Do chamado Hugo "Wolverine" Viana que, destarte essas dificuldades, estava a cinco lutas invicto, e que era um forte candidato ao UFC num futuro próximo. Muito antes de Anderson Silva postar uma foto de Yip Man em seu twitter e falar sobre o wing chun que praticara no passado, Leonardo me disse que Anderson pegava a premissa básica da estratégia de luta do Wing Chun, a quebra de ritmo, do "tempo" de luta, e que já a vinha usando com sucesso em suas lutas, e foi desfraldando uma série de informações que eu ouvia com certas reservas.

Quando Léo explicou-me qual era sua intenção, trabalhar determinados problemas que só existem na realidade do MMA na curta distância, neste caso específico, eu que também treinei MMA comecei a pensar com quanta maldade, com quanta crueldade poderíamos dar armas a Hugo porque ele tiraria força bruta de onde normalmente as pessoas não esperam, porque não está baseada na rapidez, na juventude, na velocidade, mas no jeito que você usa o que seu corpo te oferece de acordo com a situação.

Eu fiquei meio sem jeito para trabalhar com aquele rapaz inicialmente, porque ao invés de mostrar a ele como era nossa adaptação de um Wing Chun defensivo a uma luta de ringue - justamente o "kickboxing" que somos acusados de fazer, e que na verdade só tem golpes de kung fu, Léo e eu decidimos começar a trabalhar com ele um exercício tradicional que, como disse no artigo mencionado acima, realmente não prepara ninguém efetivamente para lutar chamado em chinês de Lap Sao (puxar braços) a fim de lhe dar noções de lateralidade, geração de energia na distância curta, uso de cotovelo etc. Ele já era um lutador completo, e ensinar do começo uma nova arte marcial com um jeito totalmente diferente do que ele sabia poderia ser demorado e infrutífero, além de perdermos um tempo precioso.

Hugo tem um perfil diferente da maior parte dos lutadores, ele teve uma educação formal muito boa, é um fisioterapeuta e um cara muito educado, focado e inteligente. Ele aprendeu rapidamente noções básicas de Chi Sao e Lap Sao, e tem uma força descomunal para sua pouca estatura, mas um coisa estava me incomodando, eu projetava ele tentando aplicar as técnicas da mesma maneira que aprendeu (vide artigo sobre lap sao) exatamente como faz a maior parte dos lutadores de nossa arte, e isso poderia ou dar muito certo, apenas pelo desconhecimento de seus adversários da técnica, ou muito mal, ser nocauteado tentando amarrar os braços de um cara escorregadio e preparado.

Então eu disse a ele para não tentar fazer aquilo por fazer, mas entender que o Chi Sao/Lap Sao são ferramentas para o treinamento cerebral, que existe uma lógica naqueles movimentos, e que desde que ele os praticasse com diligência, ele absorveria intuitivamente aquela lógica e que ela iria dizer-lhe o que fazer quando a maior parte das situações não treinadas especificamente aparecessem. Quando vi a primeira luta dele na competição ficou óbvio para mim o uso da técnica, especialmente a noção de grudar e passar o cotovelo de forma extremamente poderosa adaptadas por Léo no dia-a-dia de seu treinamento. É uma satisfação ver nossa arte ser aplicada em combate, e ver como um wing chun genuíno pode ser usado de diferentes formas numa luta, justamente por esta capacidade de adaptação.

O sucesso deste trabalho, aliado a pequenas intervenções de consultoria em outras competições e, graças a Deus, a seriedade que passamos no nosso trabalho e o reconhecimento um pouco tardio de nosso nível técnico abriu outras possibilidades de intercâmbios e parcerias, tanto para nosso treinamento pessoal, que julgo o mais importante, porque vendemos melhor aquilo que vivemos e acreditamos, quanto para vôos mais altos, e espero que isso contribua de alguma forma para o resgaste do respeito por nossa arte marcial. Aguardem novidades.

Abraço,
Marcos.


HOW ELEMENTS OF APPLIED WING CHUN WENT TO TUF - BRAZIL

Almost a year ago I wrote here an article in which I said that practicing only "Chi Sao" and "Lap Sao" doesn't be able anyone to fight better. Many people didn't understand what I wanted to say and they started thinking that I said these traditional exercises don't work in any situations. However, the main of my idea was very simple. These exercises really work but not exactly how people do in the gym. It's very commum to find Wing Chun and Jeet Kune Do practitioners completely alienated with the idea they can tie their opponent arms and hit freely like in a chinese movie. That's not impossible, but whom fights against a prepared opponent knows that is a little bit hard to execute.

So, I promissed to write a continuation of the first article to explain it but I didn't. First of all due to this matter being something very complicated to explain without an image of what you want to show and at last, I was searching for an opportunity of working in a pratical way because in my mind anything out of this way would be just talk and talk again. Less words, I wanted to prove what I had supposed in my text could be showed without giving space to my martial arts friends that don't agree with me in this particular case.

Earlier than I could've thought and in a way that I also couldn't imagine in advance I had a chance to work on it. An old Wing Chun and Physical Education classmate called Leonardo Chamusca now is a coach and personal trainer of professional fighters here in Salvador. Our city receive every year hundreds of fighters come from the whole world to get some especific skills in MMA, especialy  western boxing and BJJ. And we can't forget that was here that Capoeira was born like a tool of liberation of the brazilian black people originated from africans and indians dance, rhythm, culture and honoring values, so specially during the summer right before the Carnival you can see european people turning our Capoeira rounds more coloured and beautiful and conected worldwide.

Therefore, when we met again after years during a MMA competition and he said that he had ideas to work togather I thought something relationated with physiology of the exercise, gym, everything but never, ever, something that concerned to our previous Wing Chun experience. Leonardo had been a formal “Minotauro” Nogueira’s BJJ student, and had contact with guys like the famous MMA boxing coach Luis Dorea and many others champions. Despite Leonardo's recent history in MMA, he also had been a formal wing chun instructor and I remebered he had great and clever ideas to give our ancient training more eficiency.

Our Master Hon Ki Li (Li Hon Ki) was a great fighter during the early 70's but he is a very tradiciotional man in his way to teach wing chun and if we wanted to become fighters like he was, we would have to go to another martial arts studios, championships and sometimes fight on the street to see how it worked. However, we were young, and after years I finally could understand what is the tecnical purpose of the Wing Chun among another martial arts and I don’t need to prove that our style is better or worse to any other style anymore. Just to show how it works avoiding criticise without knowledge. This is the best speech.

Leonardo had come to my house and started exposing his ideas. At the beginning I thought it wouldn't work. Many months before Anderson Silva had posted Yip Man's pictures on his twitter and talked in a brazilian TV channel about his experience with Wing Chun years ago, Chamusca told that he was using it mixed with the tecniques and hints he learned from Steven Seagal and I heard that a little bit skeptical. Although all my reluctance, when he gave a proper situation to work on using a specific wing chun tool, I had just seen that our vision of how to use wing chun in combat had perfect fit.

His athlete, Hugo "Wolverine" Viana (Team Belfort at TUF Brazil) according to his description, was a very good striker, specially using his legs due to his preceding Tae Kwon Do career. But he had some especific troubles in some situations in fighting short distance. When Leonardo showed me the mainly positions, and how many chances of hiting really hard his opponents Hugo had lost, a new world full of opportunities immediately opened up in my mind. Our Applied Wing Chun, basead in create explosive strength using biomechanical tricks could be used to hit short distance in a way that an opponent can't imagine before getting hurt.

Instead of show him our tipical manner of fight against professional fighters, we decided to teach him the traditional Wing Chun Lap Sao (in some branches also called Bong Lap Da etc.) exercises and Tang Chi Sao.A very inteligent guy, humble and very strong for his short stature, he could learn very fast and  - most important - to understand what I wanted to say when I asked him for don't try to apply those exercises literally, but to feel the logical way to use the elbows to stop, to cover, follow up and hit like water that destroys everything using a smooth force of adaptation. The most important thing would be repeat and repeat those exercises once again according their original purpose at the beginning.

Changing slightly the orginal exercise following my instructions some time after that, Leonardo could coach his athlete to use that as in the specific situations we had in the beggining as for another ones that appeared later. "It was a truly revolution" Chamusca said me by phone some months later.

When I had seen Hugo's first fight over the internet http://www.ufc.com/tuf-brasil-episode-1 it was clear what Leonardo meant. Despite we always work to see results, seeing them so evidently made me proud. As Wing Chun fighter, I'm happy and thinking in continue this work. You work hard during years for everything "suddenly" start working. Another incredible chance to prove our value appear now. However, like this time, we'll work and wait for the results  and just after that we are going to show that here.

Hug,
Marcos.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

MEUS VÍDEOS

Olá, pessoal,

Hoje comecei a postar nas minhas páginas do Face, Orkut e neste canal através do qual vos escrevo, meus pequenos vídeos executando técnica de luta. Nada de espetacular. Não gosto muito de me expor visualmente, mas a a exigência do trabalho não deixa muita escolha. Quando comecei a escrever sobre Wing Chun usando perfil fake, logo as pessoas começaram a questionar se eu podia executar a técnica tão rapidamente o quanto digitava, ou algo do gênero.

E eu achava que podia escrever sobre o soco do Wing Chun porque já tinha tido algumas oportunidades de fazer algumas pessoas sofrerem um bocado com ele, levando-as a nocaute, e me dado mal algumas vezes também. Mas como escrever bem só exige racionar com método e treinar para expor suas idéias, nada a ver com lutar bem, fica aí registrada a movimentação que as pessoas ao passar na porta do Mo Gwun visualizam e perguntam, indecisas: é boxe? Kickboxe? Thaiboxe? Savate? Qwan Ki Do? Desisto? Ah, tá, Vinte e um... Que diabos é essa luta com nome de número*?

No primeiro vídeo eu demonstro alguns chutes básicos, numa sequência que a gente repetia bastante na China. São alguns dos Oito Chutes de Wing Chun. O "boneco de pneus" utilizado é desenhado para o praticante fluir na técnica, devolvendo parte da força empregada. Para fazer a última parte da sequência demonstrada com mais potência, existe um outro boneco, mais forte e com um pneu inteiro, feito para aguentar todo o peso do corpo de uma pessoa chutando com tudo. Há quem compare, por causa das luvas e do jeito gingado que uso no vídeo, com Kick ou Thai. Mas só há golpes de Wing Chun aí: Joelhada com soco (Tai Sut - I Ton Chi Da) chute circular com cobertura (Soh Gerk - Tan Gerk), cobertura com chute frontal (Kwan Sao - Dan Gerk), Lan Gerk e assim por diante, os últimos chutes as mãos cobrem com Lan Sao - Gun Sao e Jip Sao. Não há qualquer mistura com Thai ou kick. até a canelada do Wing Chun é dada de modo peculiar, usando Kan Sao com os braços e fazendo um forte pivô trazendo todo o corpo num recuo que "esquece" a canela, dando um efeito de chicotada muito efetivo.



No segundo link, faço uma sequência de ataque com braço usando socos laterais, frontais, executando em seguida recuos de cobertura e aplicando cobertura de pernas seguidas de cotoveladas. Na minha execução técnica, preferi usar menos velocidade e explosão, que são as minhas qualidades físicas mais evidentes, e focar nas posturas defensivas, pois é isso que funciona para as pessoas que não tem tanto talento ou grande tamanho e força; você usa uma técnica para chegar a um determinado fim, usando melhor o que você tem no momento e enfrentando o braço-perna do oponente com toda a força do seu corpo. Isso é Wing Chun Kuen.




Espero que gostem, e se tiverem alguma pergunta, comentário ou questionamento estamos às ordens.

*Em Português, a sonoridade da prónuncia de "Wing Chun" em cantonês lembra o numeral "21" (vinte e um). 



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

APPLIED WING CHUN EM ABERTO DE ARTES MARCIAIS

Durante dois meses estive preparando um de meus alunos, João Gilberto, que também é especialista e representante do Muay Thai Chaya* no Brasil para lutar em um aberto realizado na cidade de Ilhéus, interior da Bahia, onde este meu aluno é originalmente radicado.


                                          João em treinamento de Chaya na Thailandia
João está se recuperando de uma gastrite bacteriana que o fez perder bastante peso na Thailândia e o impediu de se alistar na Legião Estrangeira em meados deste ano. Contra todos os meus apelos, quis lutar acima da sua categoria de peso. Sem ter condições de treinar bem seu estilo pela falta de parceiros e equipes disponíveis de Thai em Salvador onde vive hoje, ele preferiu fazer a sua preparação treinando metade de seu tempo o Applied Wing Chun comigo, que ganhei por meu turno um parceiro de alto nível técnico para treinar as técnicas de competição que aprendi na China.

João, além de ser meu aluno, é um grande parceiro e amigo. Treinamos, montamos academia juntos, produzimos mais da metade do livro Kung Fu Wing Chun com dinheiro de nosso bolso, e não à toa seu nome é o mais repetido nas dedicatórias da obra. João esteve comigo quando minha filha mais velha esteve doente, quando fundamos a Applied Wing Chun Brasil, na correria atrás de grana para manter o Wing Chun vivo em Salvador, tirando o nome que tínhamos dos pequenos círculos underground do "black-war-skinhead-metal" nos quais a fama da efetividade do nosso Wing Chun começou a ser respeitada, para uma escola onde qualquer um, independente do talento, capacidade física, ideologia ou gosto musical, pudesse aprender nossa arte marcial , desde que respeite e honre nossa visão de mundo, de treino e valores, permanecendo conosco - quando o aluno não se dedica o suficiente convido-o polidamente a procurar um lugar compatível com seu grau de dedicação ao treinamento - com endereço certo depois de peregrinarmos pelo submundo punk, galpões de bairros distantes, casarões abandonados e por fim edifícios de condomínio, sempre com muito orgulho de nosso Wing Chun, até o reconhecimento nacional pelo trabalho que fizemos na internet, e o interno reconhecimento dos membros mais antigos e talentos da família do nosso nível técnico, embora o único do sul que tenha tido humildade, lastro e culhão para falar isso publicamente tenha sido meu Sihing Marcelo Florentino, coisa que lhe serei eternamente grato.


João ganhou a luta, mas não levou. Na minha visão de lutador, ganhou os três rounds com folga, perdendo a chance de nocautear no final. Entretanto, duas quedas com low kicks no último round, além de duas cotoveladas (proibidas naquela competição) dadas pelo hábito tanto do Wing Chun quanto do Thai clássico de transformar um soco bloqueado num golpe de cotovelo, fizeram-no perder pontos preciosos. Mas faltou pouco para que ele nocauteasse seu oponente com um bom boxe, e só a sua postura, sua confiança num estádio cheio de gente torcendo contra, mostra o quanto João já é maduro em seu espírito de lutador. Ele ficou calmo, relaxado, rindo, todo o tempo, e quem já lutou sabe que "quem tem ... tem medo". Ajudou seus amigos ficando no corner quando necessário, tranquilizou seus amigos nervosos antes das lutas, cumprimentou seu adversário na derrota e valorizou a vitória do mesmo, mostrou ser leal, companheiro. Tudo o que eu sempre quis ver num discípulo.


A rotina de treinamento em minha casa, onde fica nosso novo MoGwun, corrida, técnica, sparring, limpeza do local de treino, preparo das refeições, receber os alunos, dar aula junto, aguentar o cansaço e a dor no corpo dessa maratona de 5 horas, especialmente para mim que já não sou nenhum garoto e já sinto um pouco o treino de alto nível, aproximou mestre e discípulo ainda mais, e acho que honramos nossos ancestrais, nosso SiFu Li Hon Ki e os poucos condiscípulos que respeito na familia. Lutamos com honra, contra adversário mais pesado e bem preparado. Do applied wing chun João aplicou em seu jogo as coberturas de pernas treinadas á exaustão, tanto que o chute "rabo do crocodilo" foi usado pelo adversário mais pela dor que as coberturas do Thai Chaya e do Wing Chun causam que por visão de luta. João usou também Din Choi e Kwan Sao Dang Gerk. Pouco, mas foi bom pelo tempo curto que treinamos, e pela falta de hábito de João com o Wing Chun de competição, embora já tenha quebrado muito professor de boxe que nos menosprezou pela de conhecimento da nossa técnica apenas com o Wing Chun clássico de defesa pessoal.

                                                                Lucas Forrest, lutador de Wing Chun, 
                                                                TKD e Luta Livre não lutou, seu adversário 
                                                                se machucou. Foto, treino João e Lucas.


O link para trechos curtos da luta o leitor pode encontrar em: http://www.ogladiador.com

Próximo post comento a vitória de meu ex-parceiro de treino Nelson Santana, ex-campeão brasileiro de Kung Fu preparado por Edy Freire, ambos discípulos de Li Hon Ki, em evento de MMA em Campinas, com um uso mais ostensivo do Wing Chun que na luta de João. Falta o "abutre" mandar-me o vídeo da luta, que fica melhor comentar. Se não me enviar, paciência, comento do jeito que der. Nelson irá começar preparação comigo aqui Salvador e continuará com Dhai Sihing Marcelo Florentino em SP, e tenho boa perspectivas de maior aplicação da técnica, porque Nelson já tem um chão muito bom, isso vai deixá-lo tranquilo para fluir em seu Wing Chun e boxe em pé.

                                                        Nelson treinando no Muk Yam Jong anos atrás

Abraço,
Marcos.

*Chaya é um estilo de Muay Thai de defesa pessoal com estrutura, golpes e proposta marcial muitíssimo parecidos com Wing Chun, ou melhor, desculpem a falha, especificamente com o "Applied" Wing Chun, que usa as extremidades como joelho e cotovelo para machucar o adversário na defesa. Eu não sei outras escolas usam esta abordagem, até hoje nunca vi nada parecido. Agora, se você fala em geração de energia, "encaixe" etc., isso já é bem falado no Brasil, mas isso é já influência forte do livro e das vídeo aulas publicados por SiFu Li Hon Ki nos meados dos anos noventa.



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Meu desejo, meu pedido e destino na noite estrelada

Hoje não vim para falar de socos ou chutes, ou para tentar explicar pela incontável vez para as pessoas que o Wing Chun não é uma forma idiota de atacar para frente como se se estivesse tendo um ataque epilético com socos de lango-lango.

Quero falar sobre minha filha primogênita, Nathália, ou melhor, sobre sua ausência, a falta que ela me faz. Ontem ela fez cinco anos. Não pude ouvir sua voz, nem vê-la fazer com sua mãozinha a idade fácil. Não sei quais seus sonhos, nem o que ela espera do futuro, nem mesmo deste tão próximo, o que ela quer ganhar de natal, embora desconfie. Sonho com ela todos os dias, sem faltar um só, e são sonhos doloridos que não raro me deixam prostrado e soturno durante o dia. E eu sequer sabia que isso podia acontecer com alguém antes de perder o convívio com ela.

Há mais de nove meses não a vejo. Acabaram-se os banhos, e com eles a promessa não muito segura do shampoo passar longe de seus olhos, o preparo do jantar, o beijo de boa noite, o ouvir de sua vozinha doce pedindo-me para contar a mesmíssima história de novo, e o vídeo batido das princesinhas para fazê-la capitular ao sono. Ela escondida num canto, de costas, com os braços cruzados e a cara emburrada quando eu lhe ralhava. Os passeios solitários e gostosos ao parque, o prazer de fazermos uma refeição juntos num lugar público exibindo nossa harmonia, a filha pequena nos braços fortes do pai babão, e aquele repente do seu olhar silencioso em mim, enquanto seus dedinhos passeavam pelo meu rosto, marcando-me para sempre com sua candura, com o seu amor simples e puro de criança. Aqueles abraços demorados e tão profundos nos reencontros, nas despedidas. Tão pequena e já tão forte, tão serena no lidar com a lonjura.

Às vezes me revolto, tenho desejos amargos e pouco gentis. Mas quando chega a noite, destarte  o sofrimento incomensurável e luta para que o sonho doído não deixe mais uma marca atroz para o dia implacável, sei que fiz a coisa certa, embora as pessoas à minha volta, mesmo as mais próximas, não entendam que um pai sempre sabe o que é melhor para o filho. Apesar de toda crítica, todo o preconceito que existe contra pais em minha situação, que muitas vezes aceitam a critica de tanto a ouvir repetir, ao invés de seguir seu coração. E da mesma maneira que perdi minha filha, sei que a terei de volta em meus braços um dia.

Com quatro anos incompletos, Nathália me disse certa vez: "Papai, eu sempre olho para céu procurando você". E todos os dias, na madrugada, é lá que a encontro, no céu estrelado onde eu me perdia em minha meninice nas noites escuras do interior. E quando olho para céu hoje, homem feito, maduro e ferido, em meu ritual diário, sei de cor meu desejo, meu pedido e meu destino. Boa noite, filha.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Matéria no Blog do Dido, agradecimento e anúncio de novo site.

Olá, pessoal,

Dêem uma olhada na matéria que o Dido http://blogdodido-dido.blogspot.com/ fez sobre sua vinda a Salvador para treinar sobre a minha orientação, composta de duas partes. Ficou muito interessante, e eu gostaria em especial que meus alunos das turmas regulares, que puderam conhecê-lo durante um de nossos treinamentos noturnos, dessem uma olhada nisto.

Gostaria também de agradecer as pessoas que amam Wing Chun por terem batido o recorde de acessos em nosso blog. Acredito que tenha sido por causa da matéria sobre Luk Dim Boon Kwun, acho que as poucas pessoas que tiveram acesso a este conhecimento no Brasil não escrevem muito sobre esta parte do treinamento de maneira autoral, e achei que seria uma inspiração àqueles que, assim como eu, fizeram grande sacrifícios pessoais para terem acesso a este conhecimento precioso. Como afirmei no texto, Luk Dim Boon Kwun foi o último conteúdo aprendido por mim, e tive a satisfação de mandar um de meus alunos reaprender esta forma diretamente com Sifu Li Hon Ki, quando este dedicidiu ensinar este contéudo a seus demais discípulos.

Quero aproveitar o ensejo para mandar um grande abraço a meu irmão-mais-velho no kung fu, Mestre Marcelo Florentino que faz aniversário na mesma data que eu (ou seria o contrário -27 de Outubro), e dizer que estou sentindo não só falta de seu olhar crítico sobre minha técnica, bem como daquele espírito de parar e repetir uma técnica quantas vezes necessário for para que atinjamos a perfeição. É com este espírito que volto aos treinamentos depois de mais uma lesão.

Anuncio ainda que uma empresa especializada em website e design pertencente a um de meus alunos está em avançado desenvolvimento de nosso novo portal, que terá formato de blog e englobará o conteúdo deste sítio e de meu antigo website, com um domínio supreendentemente facíl de gravar, e que possibilitará ás pessoas verem vídeos feitos por nós, ver meu nível técnico e tirar suas próprias conclusões. Totalmente interativo, o novo site possibilitará que as pessoas tirem dúvidas e seja um ponto de encontro para que discutamos a técnica do Wing Chun propriamente dita e sua aplicação em luta efetiva, que é justamente o que falta nos fóruns do gênero. O forte não está na parte visual, mas em sua utilização prática pelo usuário, em especial o leigo. Talvez agrade pouco devido à forte característica filosófica atual da arte - o que até certo ponto é ótimo, mas nosso destino é fazer vanguarda, ainda que para uns poucos, então estamos no lucro!

Abraço,
SiFu Marcos.



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Livro Kung Fu Wing Chun na Bienal do livro da Bahia.

Olá, amigos,

Muita gente ainda me procura via e-mail pedindo cópias o Kung Fu Wing Chun - A Arte Marcial Treinada por Bruce Lee, lançado pela Editora Escala em 2009. O livro foi um sucesso e por isso é relançado constantemente, embora com distribuição irregular pelo Brasil. Por uma questão contratual nem eu nem os demais autores, o grande orientalista e escritor baiano José Augusto Maciel Torres e o Mestre de Wing Chun e terapeuta Holista Alberto França Gomes, temos pouco acesso a detalhes sobre publicação mais do que aquelas informações prévias que nos foram passadas à época da primeira publicação, e o resto a gente vai deduzindo pela lógica, de acordo com o número de livros publicados por edição (em torno de quarenta mil exemplares) e os avisos de alunos e fãs que escrevem dizendo que compraram o livro em diferentes estados do Brasil, ou que não encontram, ou ainda que esgotaram poucas cópias que havia numa cidadezinha do interior país afora, um pequeno refugo mandado a Portugal e Espanha.

Pois bem, uma de minhas alunas achou e comprou cópias novas do livro na Bienal do Livro da Bahia, o que é bacana para meus alunos iniciantes, pois é difícil resumir uma arte marcial tão complexa (? opa, não era para dizer a mais simples das artes marciais?!!!) para o público leigo em meras 100 páginas. Pois minha aluna falou que o livro era fácil de ser lido e entendido, e que ela o leu de uma tacada só. Eu me limitei a dizer que cumpri meu objetivo, pois sei que é duríssimo pegar algo tão rico, enxugar toda uma teoria que tem um contexto numa visão de mundo totalmente diferente da nossa, e colocar tudo em praticamente 4 páginas (da página 15 a 19 você tem a teoria do Wing Chun segundo minha visão num resumo muito prático para um livro de banca), mas o grande barato foi romper com o "o mais simples e eficiente de todos os estilos de kung fu". Romper com o discurso de Pink & Cérebro "vamos dominar o mundo" do Wing Chun foi um divisor de água na divulgação da luta no Brasil e que bom que fui eu quem colocou isso no papel, pois estava de saco cheio dessa arrogância sem fundamento na técnica da arte propriamente dita. Wing Chun agora tem de ser vista como uma luta que tem uma especificidade, um momento histórico de criação, desenvolvimento até tornar-se o que é hoje.

Engraçado é que de vez em quando ligam perguntando onde está o Mestre Li Hon Ki, ou tirando satifação se esta é mesma uma obra autorizada por ele, ou ainda parabenizando o mesmo pelo ótimo texto escrito por ele.

Bem fica aí o link da Bienal para quem quiser tentar adquirir uma cópia por este meio:

http://www.bienaldolivrodabahia.com.br/


Abraço,
SiFu Marcos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

LUK DIM BOON KWUN - O Bastão Longo e sua influência técnica no Wing Chun

Por SiFu Marcos Abreu

HISTÓRIA, DESCRIÇÃO E ENSINO


                                                       SiFu Dr. Vansembergues Alves demonstra o movimento Hiung Kwun Luk 
                                                       Dim Boon Kwun. Foto para o livro Kung Fu Wing Chun, Ed. Escala.


Conhecido no Brasil simplesmente como "Bastão Longo" o Luk Dim Boon Kwun é uma das duas armas que compõem as fases de treinamento do Wing Chun Kuen, junto a Baat Jam Dao (Faca de Oito cortes). Luk Dim Boon Kwun significa "Bastão de Seis Pontos e Meio" sendo seu nome uma referência ao número técnicas (pontos) e mais uma "meia técnica" que, pela contradição do nome, traz em si uma lição técnico-filosófica. Segundo o que Mestre Li Hon Ki, oitava geração de sucessores do nosso Phai (estilo), passou de precioso conhecimento das gerações que nos antecederam quando nos ensinou a confeccionar e, depois, manejar esta arma, trata-se originalmente de uma grande lança usada nas guerras logo na frente de batalha, possuindo no passado uma afiadíssima ponta metal. À medida que este conhecimento foi introduzido no templo Shaolin (Siu Lam) por guerreiros profissionais que buscavam abrigo no templo, os monges, proibidos por seu código de conduta de fazer alusão sequer a uma suposta intenção de matar outro ser humano, tiveram de retirar a ponta de metal original.

Entretanto, o próprio peso da arma, somado ao seu desenho (imagine uma espécie de taco de bilhar gigante, com uma extremidade de manejo de calibre maior que a da ponta, com flexibilidade suficiente apenas para não se partir facilmente) e ao grande comprimento que pode variar de 9 a 11 pés ingleses tornam um mínimo toque efetuado por parte de um expert algo potencialmente letal, o que faz pensar sobre a dificuldade de se associar boas intenções e preceitos religiosos com algo tão violento em sua essência original. É o paradoxo básico das artes marciais controlar os ímpetos agressivos e saber que com  a habilidade para matar vem a responsabilidade de preservar a vida. Contudo, não pode haver paradoxo na técnica efetiva, porque o seu inimigo não terá a mesma misericórdia. A técnica antes de qualquer coisa deve funcionar. Se for possível fazer isso sem machucar de morte o inimigo, tanto melhor, mas em se tratando de Luk Dim Boon Kwun... Muita gente escreve bobagens sobre uma letalidade superior às demais lutas quando fala das técnicas de mãos livres do Wing Chun, mas são de fato as armas,  mesmo adaptadas pelos monges para machucar menos, que continuam sendo o que há de mais arrasador dentro do sistema.

Como qualquer conhecimento saído dos meandros de um passado pouco formalmente documentado e passado oralmente de mestre para discípulo, uma certa fantasia, grau de estatus  e aura de segredo ainda compõem a idéia da prática dos conteúdos superiores do sistema, por serem a última coisa que se aprende antes de concluir o treinamento, e porque, pelo menos em tese, boa parte dos mestres reservaria estes conteúdos apenas para seus alunos favoritos, ou aqueles que conseguiram manter-se na escola por tempo suficiente para merecer aprende-los e, um dia, passa-los adiante, mantendo vivo o conhecimento completo do sistema.

                                            SiFu Marcos executa Tiu Kwun em boa postura em sua casa em Salvador.

A bem da verdade, e para este não ser apenas um mais um artigo hipócrita e positivo-moral-elitista como muitos outros que há por aí sobre os conteúdos reservados da luta, verdade seja dita: boa parte dos praticantes, inclusive acredito que infelizmente muitos que me lêem aqui não vai aprender estes conteúdos não porque não tenham grandes qualidades pessoais, bom nível de habilidade ou não sejam leais, mas porque existe uma tácita reserva de mercado que visa limitar a quantidade de mestres, já que Wing Chun é uma arte de curto aprendizado. Então não é de surpreender se você praticante faz parte de uma escola que está há anos e anos no país e não há uma só pessoa que conheça a fase superior do Wing Chun, ou haja uma discrepância muito grande entre o número de praticantes e aqueles sortudos que realmente foram até o fim.

Consagrada é a idéia de que as Facas de Oito Cortes são a última das seis fases de treinamento. De fato, se tomarmos apenas a similiridade técnica entre os contéudos e as fases de treinamento, Baat Jam Dao pode até ser a última técnica a ser aprendida, mas em algumas famílias como a minha, o pesado bastão é usualmente a última coisa a ser ensinada, por ser um conteúdo que difere um pouco do resto do sistema, embora o tenha influenciado definitivamente, como veremos mais adiante. É preciso um certo grau de força bruta para manejar uma arma tão grande, e a esta altura espera-se que o praticante que começou na adolescência já esteja forte o suficiente para isso. Numa família tradicional ou naquelas onde os pais são mestres de seus filhos porém, essa ordem pouco importa, podendo as armas serem treinadas até mesmo como parte do treinamento de mãos livres junto ao Boneco de Madeira. A divisão em fases de treinamento tem razões históricas que envolvem a facilitação do aprendizado, "graduação" por mérito, e, num passado distante, quando a arte saiu do templo e caiu na clandestinidade, proteger os praticantes - em sua grande maioria integrantes de sociedades secretas, sendo morte garantida a descoberta de suas atividades marciais - além de outras menos éticas como as mencionadas no parágrafo acima.

INFLUÊNCIAS DO BASTÃO NO WING CHUN

Luk Dim Boon Kwun tem uma característica peculiar que o distingue dos demais conteúdos do sistema por ter um conjunto de bases e movimentações que pouco mudou no decorrer das gerações. Enquanto a movimentação de facas e mãos livres foram se adaptando à movimentação mais curta e explosiva para efetuar fortes contra-ataques, o que acabou por mudar definitivamente o sistema de base, diferenciando-o visualmente de outros sistemas, o bastão longo do Wing Chun continuou mantendo boa parte das principais características de seu provável antecessor, o bastão longo do templo Shaolin, que pode ser visto em diferentes estilos de kung fu. Existe uma explicação muito simples do porquê disso ocorrer; o comprimento do bastão e, principalmente, o seu peso, somado à dificuldade de se simular um combate real simplesmente tornam difícil qualquer modificação no sistema de base, que acompanha o padrão original de Shaolin, que por seu turno tirou as suas principais bases da luta armada.

Por isso, é possível dizer que o bastão longo é uma conexão entre a técnica atual do sistema e a técnica original do templo Shaolin. Muitos outros estilos de wushu chinês possuem a mesma arma em seus currículos tem as mesmas "seis" técnicas de bastão que dão nome da forma no estilo de Yip Man, com poucas variações estilísticas; entretanto, Wing Chun tem uma técnica a mais, chamada curiosamente de "Meio Ponto", ou "Meia Técnica", que é um movimento curto que demonstra a capacidade de adaptação e improviso no "momento crítico da luta". Para aqueles que acreditam que o bastão foi incorporado ao sistema Wing Chun quando este já tinha as características atuais, esta é uma clara influencia do "wing chun" na técnica do bastão longo original de shaolin.

                                                           SiFu Marcos demonstra Puot Kwun na mudança para próximo movimento.

E qual seria então a influência de Luk Dim Boon Kwun no Wing Chun? A resposta mais óbvia tem haver com a "Teoria da Linha Central" que instrui o lutador de Wing Chun a usar sempre que possível linhas retas de ataque e, junto, cobrir-se defensivamente após um ataque que não tenha tido sucesso; a isso os mestres da luta comumente chamam de "recuperar a linha central" . Na luta real com o bastão, isso tem um motivo que pode ser a diferença entre a vida e a morte. Lutando em relativa segurança conferida pelo comprimento da arma, um movimento para o lado no momento errado pode ser a oportunidade para inimigo com outra arma longa conseguir um pequeno espaço para uma estocada mortal, ou a oportunidade para alguém com uma arma curta conseguir encurtar a distância do bastão o suficiente para torná-lo completamente inútil no corpo-a-corpo. Neste sentido, controlar a "linha" com o bastão siginfica ter as melhores oportunidades em um combate que pode ser decidido em poucos segundos.

NA LUTA DE MÃOS LIVRES

A segunda resposta, embora não menos óbvia, surpreendentemente não parece encontrar aplicação prática da luta do bastão para luta de mãos livres na maior das escolas de wing chun do ponto de vista de um repertório técnico específico. Esta-se a falar de adaptar a Teoria da Linha Central, o principal ponto de convergência entre os modus operandi bastão e punhos, para a luta com o corpo posicionado mais de lado  no mano-a-mano, o tipo de guarda mais usada em todos os sistemas de luta consagrados mundo afora.

                                                   SiFu Marcos demonstra Biu Kwun tal como aprendido com
                                                                    seu Sifu Li Hon Ki. Note a base comum a estilos oriundos do
                                                                    shaolin como Hung Gar, Tong Long e mesmo Karatê-Do.

                                                       Forrest demonstra Din Choi, adaptação de Biu Kwan para o boxe do Wing Chun.



No jogo do Bastão Longo você estará na maior parte do tempo com o corpo de lado para seu adversário, o que obrigatoriamente fará que a sua referência de linha central seja a menor distância entre você e um alvo válido em seu adversário. Na luta de mãos livres dois a dois, colocar o corpo de lado significa diminuir o espaço para o ataque do oponente, além de aumentar significativamente nosso alcance para o ataque. Por este motivo em nossa família tiramos das lições do bastão longo o soco Din Choi, que tem uma característica muito peculiar que é usar todo o peso do corpo para socar de lado com o máximo de potência, tornando este o soco mais pesado do Wing Chun no menor espaço possível. Pouca gente espera que um golpe desferido com a mão fronteiriça tenha peso o suficiente para machucar bastante, mas usando a força dos giros corporais e o exercício Din Choi - influenciado visivelmente por Luk Dim Boon Kwun e muito parecido com um famoso exercício básico Shaolin que supostamente deixara marcas de abaulamento no piso de pedra do templo, tal a força das pisadas dos monges ao longo dos séculos - o lutador de Wing Chun tem não apenas força para execução de golpes com o corpo de lado, mas também ganha alcance e distância de golpe impossíveis lutando apenas de frente, o que levou a nossa família ser apelidada de "Wing Chun do Caminho da Ponte Longa". O fato é que não há nenhuma invenção nisto, este é o mesmíssimo Wing Chun de Yip Man, e o apelido deve ser encarado como mais um característica dentre muitas possíveis de nosso sistema para diferentes situações de combate livre.

Na foto do parágrafo acima, note como é executado o Biu Kwun. Além da guarda pouco ortodoxa (na maior parte das escolas geralmente se usa mão mais forte à frente com o bastão), o braço direito levantado, embora exponha mais o lutador, confere mais força à estocada. Descontada a base, se você levar a movimentação dos braços para luta dois a dois, este será exatamente o mesmo jeito que o iniciante aprende a socar Din Choi - corpo totalmente de lado e tirando o máximo de força, para só depois aprender o modo menos exposto. É muito frequente em Wing Chun o praticante achar que não se deve usar força, mas numa luta em que você tem sempre metade da distância de luta dos estilos tradicionais (porque o lutador de wing chun prefere que o atacante esteja avançando forte para aplicar melhor sua técnica, o que reduzirá bastante o espaço), tirar força de todo movimento é algo imprescindível para o iniciante, já que partimos da idéia que nosso adversário é maior, mais alto, mais rápido e mais forte, ou tem vantagens de meio (arma) ou de número de parceiros na luta. O jeito de lutar com o corpo lateral na mecânica Tiu Kwun - Biu Kwun encontra equivalente no Gip Sao - Din Choi, o que possibilita ao praticante um alcance ofensivo que ele não teria levando em conta a interpretação radical da Teoria de Oposicão Frontal que prega que o lutador deve estar sempre de frente para seu adversário.

                                         SiFu Marcos demonstra Gip Sao com SiFu Florentino. Note a semelhança entre                  
                                                       esta posição de defesa e a base usada na segunda foto deste artigo. Seguido à defesa
                                                       vem um forte  Din Choi, com visto na foto abaixo.

                                                       Din Choi. Foto: alunos SiFu Marcos para o livro Kung Fu Wing Chun.



PARA QUE TREINAR UMA ARMA ANTIGA?

Bem, para aqueles que pensam no Wing Chun (ou pelo menos o compram assim, nada contra) unicamente como uma ferramenta de defesa pessoal - e realmente concordo que a especificidade da luta penda para algo mais semelhante a este termo em geral mal empregado - é óbvio que o Bastão Longo não é exatamente a arma mais prática para se levar na mochila,  como seriam as facas gêmeas (Baat Jam Dao), se é que você realmente acha normal andar com duas facas de açougueiro às costas, mas o treino com armas coloca seu senso de tempo e tomadas de decisões sob estresse em outro nível, mesmo que sejam empregados artifícios para suavizar o contato durante a prática, tornando a vivência desta fase de treinamento uma experiência fantástica de uma cultura física vigorosa e potencialmente letal.

É comum fazer o treino de bastão contra espadas e vice-versa. Quando você está com o Bastão Longo, tem de lutar para não desperdiçar energia, não se cansar e perder a posição para o avanço do adversário. Seus movimentos tem de ser precisos e você não tem uma segunda chance para se recuperar. Uma vez com as facas, o momento crítico é lograr com êxito o atacante com bastão que está confortavelmente distante para encurtar a distância e decidir a refrega. Com o bastão, buscar o máximo de eficácia com o menor gasto de energia significa mover-me não mais que o necessário e manter a mente focada em alcançar seu alvo. Perder um ângulo, desviar a arma um milímetro a mais pode significar morte certa. Por outro lado, manter a distância, cuidar dos ângulos e lutar com simplicidade podem fazê-lo um homem muito difícil de ser batido.

Outra coisa que se lê e ouve bastante no Wing Chun é que treinar com as armas deixa suas mãos semelhantes às mesmas. Isso não é tão verdadeiro porque as armas decidem mais rápido, enquanto numa luta equilibrada você pode ter de golpear repetidas vezes o adversário até surja o resultado desejado. Entretanto, conceitualmente falando, tanto a luta com armas como a de mãos livres contra um ou mais adversários seguem os mesmos conceitos como Bong (parar), Fuk (controlar), Tan (espalhar), dentre outros, e é justamente o exercício constante destes conceitos em diferentes situações que conferem ao Wing Chun o status de "sistema" e mantém coerência pratica de tal modo que, mesmo que numa situação limite você não tenha um bastão de 3,14m a seu alcance, um bastão mais curto pode reproduzir os mesmos golpes caso você domine o bastão longo, embora o contrário não seja tão fácil.

Assim como as demais estranhas formas (aos olhos leigos) do sistema Wing Chun são como manuais de instrução sobre a lógica da movimentação da luta, mais que a representação ou imitação imaginária da mesma, a forma Luk Dim Boon Kwan te mostra como defender seus ângulos vulneráveis usando a precisão como guia. Com o bastão, você se vê obrigado a ser totalmente objetivo, ecônomico em seu gasto de energia e usar seu senso de oportunidade para estocar e finalizar sem hesitar.

Estudar a arte de lutar com bastão dá a oportunidade de comparar as adaptações dos conceitos teóricos do Wing Chun aplicados a uma arma mais antiga e vice-versa, e isso lança uma luz sobre o flagrante desenvolvimento do sistema ao longo dos séculos, fortalece seu corpo, seu espírito e lhe dá orgulho (a quem fez o esforço para superar as barreiras culturais, étnicas, morais (imorais muitas vezes), financeiras e de mercado - nada pessoal às vezes é só negócio) de aprender uma técnica de combate que atravessou os séculos e perdurará ainda muito tempo, apesar de tudo.



domingo, 2 de outubro de 2011

Treino com Mestres Marcelo e Cleber em minha casa.

Passei o dia todo tentando escrever a segunda parte do artigo sobre Chi Sao Lap Sao aproveitando o fato de o mesmo ter sido mencionado de passagem numa das comunidades Wing Chun no orkut, mas a minha filha caçula, doentinha, deu-me um trabalho danado.

Qual a minha surpresa quando o Douglas deixou-me recado sobre a matéria da vinda de seu Mestre Marcelo Florentino à Salvador quando ele pôde ficar em minha casa durante o carnaval passado.

Treino com mestres Florentino e Cleber

Quando minha família morava no interior do Maranhão perto da antiga capital da pistolagem, Imperatriz, ninguém queria visitar-nos. Quando nos mudamos para Salvador todos por alguma razão misteriosa queriam nos visitar sem mais delongas alegando distância, saudade etc.Hum-hum, ah, tá.

De forma que conheci Marcelo o suficiente na China para saber que o cara é de treino, mas quando alguém vem em sua casa no verão, em pleno carnaval, até Senhor do Bonfim desconfia, e qual a minha surpresa quando o Marcelo não demonstrou nenhum interesse em conhecer a Soterópolis, mas em treinar uma média de 6 horas dia, reproduzindo o seminário em Foshan suficientemente citado neste blog.

Eu estava fora de forma e vindo de uma séria lesão na virilha, mas aquele treinamento foi o empurrão que eu precisa para passar por cima de problemas pessoais e voltar a treinar forte. Meu muitíssimo obrigado a meus irmãos wing chun que treinaram comigo neste período, e uma menção especial ao Cleber Dominges (o Marcelo é famoso, conhecidíssimo, logo tá saindo vereador na Zona Leste) que para mim é o maior mestre de Louva-a-Deus do Brasil e representante de Mestre Li Hon Ki no Wing Chun e Hung Gar, este último no qual dentro em pouco corro o risco a dizer que certamente estará tecnicamente igual ou à frente de seus colegas, dado o absurdo de talento que este rapaz tem. Fica aqui o apelo para que ele poste no youtube as formas com ou sem armas, lutas e as lutas do seu irmão Leandro Domingues. A família Domingues - anotem aí - está para o kung fu tradicional como estão os Machida para o Karatê-Do Shotokan, e quando os brasileiros descobrirem esses caras eles simplesmente vão ficar difíceis para se marcar um treino.

Eu detesto fazer fotos e imagens, mas agora o leite e o remédio de minhas pequenas passa pelo marketing pessoal, de forma que quem nunca me viu movimentar mais que a teoria e falatório nos textos dos fóruns pode ver o ancient dando 15 segundos de porrada nos aparadores, e vou fazer só um pouquinho melhor que isso e mostrar que o meu Wing Chun "de playground" - como está sendo carinhosamente chamado na Bahia por quem acha que é necessario sair de Salvador para treinar Wing Chun em alto nível em outro lugar do Brasil-  foi e é usado no "underground" com sucesso.



Neste treinamento todo mundo se ajudou eu particularmente me senti lisonjeado com a presença dos meus irmãos, gritando, incentivando, dando palpite durante uma semana duríssima de treinamento que foi feito com muita dor, machucados e, por isso mesmo, insistência e perseverança. Fica aí o projeto para o reencontro no começo do ano que vem quando treinaremos juntos novamente para fortalecer no nosso Wing Chun e os laços fraternos que advém da compreensão mais profunda da arte dentro da luta.

Abraço,
Sifu Marcos.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Pisa na cabeça - uma rápida reflexão sobre o papel do mestre de artes marciais.

Eu felicíssimo aqui porque depois de uma forte gripe que me deixou duas semanas sem treinar direito, sentindo dores horríveis, consegui treinar bem hoje com meus alunos, contra todos os prognósticos negativos. Eu estou umas 36 horas sem dormir por questões pessoais. Achei que não ia chegar a tempo de ministrar minha aula esta noite, que os caras estariam putos comigo. Eu já saía atrasado quando vi um carro virando à esquerda enquanto um motociclista tentava ultrapassá-lo pelo mesmo lado e a batida inevitável,  baixa velocidade e eu pensei que era só um arranhão quando o rapaz ficou imóvel, pendurado como que jogado para cima, entre sua moto e o carro. Corri como um doido até chegar até ele, e na falta de gente com mais força, vamos "nóis" que somos da boa vizinhança, bons moços caricaturais, previsíveis, pois topamos empurrar carro velho, trocar botijão de gás e atravessar velhinhas para o outro lado da rua e outros bons mocismos.

Acidentes de moto são comuns naquele cruzamento, vi um igual poucos meses antes, os motoristas nunca dão a seta, os motoqueiros sempre tentam ultrapassar partindo de um ponto cego, e todos são culpados.
Bem, o rapaz acordou, eu o retirei da moto, formou-se aquele círculo, apenas umas escoriações na perna e braço direitos, e o cara imprecava que não queria ficar deitado até a chegada do socorro, que tinha de ir ao trabalho, que não podia ter caído da merda da moto, etc., ou seja, ele tava ótimo, enquanto eu checava a chegada da ambulância, maldito curso de socorrista. E os garotos a me esperar no Mo Gwun*.

Eis que passa o rapaz de que citei de passagem outro dia, o instrutor de Krav Maga para quem o negócio é "matar", quando fui assistir ao treino doutra feita, porque a idéia do Krav Maga é semelhante ao Wing Chun em sua especificidade, e não por acaso seus golpes se parecem tanto, e mais ainda com os de nossa família especificamente, a ponto de suscitar desconforto bobo a semelhança, porque o Wing Chun mais antigo. Eu realmente não sei se ele passou direto porque intuiu que estava tudo bem, ou simplesmente achou que não era com ele, ou ainda estava tão distraído que não percebeu nada e achou que aquilo era roda de pagode.O caso é que caso ele tenha percebido, ainda que tenha visto que o rapaz não ia morrer, ele foi extremamente ingênuo sobre o papel de um professor numa comunidade local.

Ora, estávamos na avenida mais cara de Salvador e nela você não aprende a matar com os dublês de soldados do oriente médio por muito menos de 180 reais por mês, embora o único cara que eu vi de passagem, quase despercebido nas sandálias de tira se não fosse o tamanho, nessa avenida ultimamente foi o Júnior Cigano; esse se disser que mata, eu acredito.

O papel de um cara que sabia artes marciais no passado era muito mais amplo do que hoje. A medicina oriental se desenvolveu passo a passo com as artes marciais. O mestre era também o médico, o conselheiro, o educador infantil. Até hoje, as pessoas esperam dele não apenas a técnica, mas o exemplo. Mesmo nessa avenida, tão movimentada existe o microcosmo comezinho derredor: o cara da lanchonete, os porteiros dos edifícios, os professores da escola infantil. Todos se conhecem, se falam, e estão constantemente dividindo suas vidas uns com os outros, como fiz com o segurança que eu achava antipático sem nenhum motivo particular até conhecê-lo - pra valer- hoje, organizando o trânsito e protegendo o acidentado comigo para que não fosse saqueado. Ou o cara da pizzaria que guardou a moto do rapaz na garagem da clínica em frente e acalmava a namorada do cidadão, que estava aos prantos. Todas estas pessoas são formadoras de opinião, e se pararmos para pensar de forma mais ampla, são elas de fato que definem, pra sociedade, não para o status quo, não a faixa na cintura ou a franquia comercial da academia, quem de fato é o mestre.

Lembrei-me daquele dizer do Código de Conduta do Wing Chun de meu SitaiGung Yip Man** sobre usar seu conhecimento marcial para servir a sociedade e ajudar o mais o fraco. Mas em que foi que a técnica me ajudou? Provavelmente nada. Gastei 15 contos de taxi até a academia, e ainda me roubaram a revistinha em inglês que eu deixara junto ao poste com um dicionário na hora da correria. Tivessem levado o dicionário, o ato em si já teria sido uma medida sócio-educativa, porque o oportunista teria aprendido algo novo sobre o idioma gringo. Ahhh, o ladrão é bilíngue! Eu não tinha pensado nessa possibilidade, rapá...

Mas eu fiz o que achei que era certo, senti-me bem pra caramba com isso, e surpreendentemente foi tudo certo no treinamento, mesmo com o torpor do sono. Pena que o rapaz que mata não parou e perguntou pelo menos o que estava acontecendo e se estava tudo bem. Talvez não fosse da conta dele, mas com uma academia há poucos metros do local, não consigo deixar de pensar que a faixa que ele ostenta nos treinos o obrigava a estar ali, pelo menos para mostrar que temos uma responsabilidade, que temos valores e que, sim, isso importa, que se não importasse seria ao menos o nosso dever dar o exemplo. Se fosse para acabar de matar o rapaz tava lá para pisar na cabeça...com todos os diabos!


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*Mo Gwun: lit. Ginásio Militar (marcial) em cantonês.
** Yip Man (1893-1972): Patriarca do sistema Wing Chun em Hong Kong durante a segunda metade do séc. XX, famoso por ter sido mestre de Bruce Lee. SiTaiGung (Mestre-Bisavô na cultura do kung fu) se refere posição genealógica do Patriarca em relação ao autor. N.A.







Destrinchando o Muk Yam Jong, o boneco de madeira do Wing Chun, em uma análise de caso. Parte II

Pois é, assim como o personagem do game Tekken, Mukujin ( 木人) lit. Pessoa de Madeira, Uma corruptela de seu alter ego, Muk Yan Jong ( 木人...